Corte na Selic pode ocorrer apenas no final do ano

Entenda as incertezas fiscais que podem adiar o corte da Selic até o fim de 2023.
30/07/2025 às 07:23 | Atualizado há 4 meses
               
Selic no fim do ano
Rafaela Vitória do Inter vê Selic a 15% e incertezas com a política de Trump. (Imagem/Reprodução: Forbes)

As **incertezas fiscais** e o cenário de possíveis tarifas mais altas nos EUA têm gerado debates sobre a trajetória da Selic no fim do ano. A manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados pelo Banco Central (BC) é uma estratégia para conter a inflação e garantir a credibilidade fiscal. Mas, afinal, o que esperar para os próximos meses?

A postura do Comitê de Política Monetária (Copom) indica uma continuidade na política de juros altos. O objetivo é sinalizar ao mercado que o aperto monetário persistirá até que haja mais clareza sobre os rumos fiscais e o cenário externo. Essa estratégia visa ancorar as expectativas e evitar pressões inflacionárias decorrentes de incertezas.

Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter, destaca que um possível corte na Selic ainda está no radar para o fim do ano. No entanto, essa decisão dependerá de fatores como o comportamento do câmbio e os impactos da nova guerra comercial dos EUA. As tarifas de Trump trazem incertezas, podendo afetar diversos setores da indústria e gerar consequências amplas como desemprego e desaceleração econômica.

O governo federal também tem um papel crucial nesse cenário. O esforço para conter o avanço dos gastos e restaurar a credibilidade fiscal será determinante para as próximas decisões do BC. Um debate fiscal amadurecido pode pressionar o governo a implementar medidas de contenção, o que traria mais confiança para o mercado.

Ainda segundo Rafaela Vitoria, a expectativa é de que a Selic se mantenha estável em 15%. A estratégia do BC é manter essa postura restritiva por um período prolongado. Não se esperam mudanças na taxa básica de juros nas próximas reuniões, nem no tom da Ata. A projeção é de um primeiro corte da Selic em dezembro, em 0,50 ponto percentual, terminando o ano em 14,50%.

O cenário eleitoral de 2026 também exerce pressão. A tendência é que o governo seja pressionado por mais gastos. Se houver aumento de despesas sem equilíbrio do lado da receita, essa expansão fiscal pode aquecer a demanda e dificultar o processo de desinflação, ou até mesmo pressionar a inflação para cima.

A política monetária restritiva do BC já mostra sinais de impacto na economia. Observa-se uma desaceleração no varejo e na indústria, e os investimentos também tendem a enfraquecer nos próximos meses. A expectativa é de estabilidade do Produto Interno Bruto (PIB) neste segundo semestre, com possibilidade de leve retração no quarto trimestre.

Em relação aos investimentos, o setor de infraestrutura demonstra mais resiliência devido às concessões que remuneram o custo de capital. Setores como saneamento também se beneficiam do novo marco regulatório. Por outro lado, a construção civil pode sofrer desaceleração, já que a taxa de juros elevada impacta a poupança e o crédito imobiliário.

O agronegócio, que vinha crescendo, pode enfrentar incertezas devido às tarifas de Trump, o que pode levar a uma redução nos investimentos em 2026. Atualmente, o prêmio de risco nos ativos brasileiros ainda é elevado, tanto na Bolsa quanto nos juros, mas grande parte desse risco já está precificada nos preços.

A falta de confiança na política fiscal é um ponto de atenção. A expectativa de deterioração fiscal é maior do que os números efetivamente mostram. A estabilidade econômica a longo prazo depende da confiança, credibilidade na política econômica e controle dos gastos excessivos.

O câmbio, atualmente em torno de R$ 5,60, é considerado relativamente equilibrado. Há espaço para valorização se houver maior confiança na política fiscal e queda na inflação. No entanto, a guerra tarifária de Trump pode pressionar o câmbio, mantendo a volatilidade entre os aspectos positivos e negativos.

Via Forbes Brasil

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.