A fusão entre Marfrig e BRF cria a MBRF Global Foods

Saiba tudo sobre a fusão entre Marfrig e BRF que criou a MBRF Global Foods, uma gigante do setor de carnes.
05/09/2025 às 16:04 | Atualizado há 6 meses
               
Fusão entre Marfrig e BRF
MBRF inicia com R$ 150 bilhões em faturamento e supera disputas com concorrentes. (Imagem/Reprodução: Investnews)

Após quatro anos de negociações, o empresário Marcos Molina concretizou a fusão entre Marfrig e BRF, formando a MBRF Global Foods. A nova companhia agrega marcas conhecidas como Sadia e Perdigão e está avaliada em R$ 15 bilhões, marcando um novo capítulo para Molina.

A MBRF, que conta com um faturamento anual superior a R$ 150 bilhões, estende sua presença a mais de 100 países, sendo a segunda maior empresa de carnes do Brasil. Essa união não foi isenta de desafios, incluindo disputas com acionistas e movimentações de mercado que criaram tensões ao longo do processo.

Em meio a reestruturações e dificuldades financeiras, a chegada de Molina à BRF e suas ações, como aumentos de capital, indicam um foco em recuperação. O próximo passo é listar a MBRF na Bolsa de Nova York, prometendo impactar a indústria de alimentos e cativar a atenção do mercado.
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Após quatro anos de negociações, investimentos que somam R$ 15 bilhões e superando disputas com grandes fundos de pensão, o empresário Marcos Molina concretizou a Fusão entre Marfrig e BRF. A união resulta na MBRF Global Foods, que integra a Marfrig e a BRF, esta última detentora de marcas como Sadia e Perdigão.

A aprovação unânime e sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) marcou o nascimento da nova gigante do setor de carnes. Com um faturamento anual superior a R$ 150 bilhões e presença em mais de 100 países, a MBRF se posiciona como a segunda maior empresa do ramo, atrás apenas da JBS.

Este marco também representa uma reviravolta para Molina, que em 2013 foi forçado a vender a Seara devido ao alto endividamento da Marfrig. Agora, ele retorna ao segmento de frangos e suínos com uma nova perspectiva.

Desde 2019, circulavam rumores sobre a Fusão entre Marfrig e BRF. Naquele período, a BRF passava por reestruturações após a gestão da Tarpon e de Abílio Diniz, enquanto a Marfrig prosperava com sua operação americana, a National Beef.

A ideia inicial de uma fusão em condições de igualdade não avançou. No entanto, em maio de 2021, Molina surpreendeu o mercado ao adquirir mais de 20% da BRF, em um investimento inicial de aproximadamente US$ 1 bilhão. A estratégia de Molina sempre foi clara: o valor das marcas Sadia, Perdigão e Qualy justificava o investimento.

A chegada de Molina à BRF não foi isenta de obstáculos. A família Fontana, fundadora da Sadia, e acionistas relevantes como o fundo de pensão Petros, manifestaram resistência. Contudo, as tensões diminuíram e, em março de 2022, Molina assumiu a presidência do conselho da BRF, liderando a empresa.

A primeira prioridade de Molina foi fortalecer o caixa da BRF. A empresa apresentava uma alavancagem de 3,7 vezes, considerada elevada. Para resolver essa situação, foram realizados dois aumentos de capital, totalizando R$ 5,4 bilhões, com a participação do fundo soberano saudita Salic.

Além dos desafios financeiros, a Marfrig identificou problemas operacionais na BRF, como a gestão de estoques. Internamente, estimava-se que a BRF perdia mais de R$ 100 milhões por mês devido a descontos e descartes de produtos próximos ao vencimento.

Diante desse cenário, Molina nomeou Miguel Gularte, ex-presidente da Marfrig, para o comando da BRF em setembro de 2022. Gularte implementou uma gestão focada em disciplina operacional e eficiência, com reuniões semanais e acompanhamento rigoroso.

Após três anos, a gestão de Gularte apresentou resultados: a BRF reduziu sua alavancagem para menos de uma vez o Ebitda, voltou a registrar lucro e recuperou sua competitividade no mercado.

Durante esses quatro anos, Molina enfrentou disputas societárias e concorrenciais. Em 2021, a Petros questionou a aquisição da BRF pela Marfrig, criticando os aumentos de capital e a ausência de prêmio aos minoritários. A resistência não surtiu efeito, e a Petros reduziu sua participação.

Recentemente, a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, tentou impedir a criação da MBRF, chegando a acionar a Justiça e a CVM. No entanto, a Previ vendeu sua participação para um fundo ligado ao BTG Pactual por cerca de R$ 2 bilhões.

A relação entre Marfrig e Minerva Foods também teve seus altos e baixos. Em 2023, a Marfrig vendeu 16 frigoríficos na América do Sul para a Minerva por R$ 7,5 bilhões, visando reduzir sua dívida e focar nas marcas da BRF. No entanto, a Minerva se tornou a principal opositora da Fusão entre Marfrig e BRF no Cade, alegando concentração de mercado.

A Marfrig acusou a Minerva de boicotar fornecimentos e tentar tumultuar o processo de fusão. No final, Molina obteve a aprovação do Cade. Além disso, a venda de dois frigoríficos da Marfrig no Uruguai para a Minerva foi cancelada, mantendo a rivalidade entre as empresas.

Com a aprovação dos acionistas e do Cade, a MBRF se torna realidade, representando para Molina o encerramento de um ciclo. Em 2013, ele vendeu a Seara para salvar a Marfrig, e agora, em 2025, consolida seu retorno ao topo com a criação de uma gigante que une Sadia, Perdigão e Qualy.

O próximo passo, conforme indicado por Marcos Molina, é listar a MBRF na Bolsa de Nova York, seguindo o exemplo da JBS. A Fusão entre Marfrig e BRF promete remodelar o cenário da indústria de alimentos, e o mercado aguarda os próximos capítulos dessa história.

Via InvestNews

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Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.