MBRF e sua Dependência no Ciclo do Frango até 2029

Entenda como a MBRF terá que enfrentar a dependência do ciclo do frango nos próximos anos.
03/10/2025 às 12:22 | Atualizado há 5 meses
               
Ciclo do frango
XP previsa estagnação das margens no setor de frango, limitando a valorização das ações. (Imagem/Reprodução: Infomoney)

A MBRF, nova gigante do setor alimentício brasileiro, surgiu da fusão entre Marfrig, Sadia e Perdigão. Nos próximos anos, a empresa enfrentará desafios significativos, especialmente sua dependência do ciclo do frango, que deverá se estender até 2029. A lucratividade da companhia será afetada pelo cenário global, onde a escassez de gado nos EUA impacta os negócios.

Nos últimos dois anos, o mercado de carne de frango teve um desempenho notável, com empresas como BRF e Seara conquistando margens recordes. Segundo analistas, essa situação é impulsionada por problemas de oferta e custos de ração mais acessíveis. Contudo, a expectativa é que as margens elevadas não se sustentem a longo prazo, o que pode prejudicar a valorização das ações da MBRF.

A XP Investimentos projeta uma diminuição gradual das margens da BRF, representando uma parte significativa do Ebitda da MBRF. Embora as margens ainda sejam consideradas positivas, sua normalização pode representar desafios adicionais para a companhia. Enquanto isso, o segmento de carne bovina enfrenta dificuldades relacionadas à baixa disponibilidade de gado, com recuperação esperada apenas em 2029.
A recém-formada gigante brasileira de alimentos MBRF (MBRF3), resultado da fusão entre Marfrig e a detentora das marcas Sadia e Perdigão, manterá sua dependência no negócio de carne de frango nos próximos anos, possivelmente até 2029. A lucratividade da companhia de Marcos Molina será influenciada pelo ciclo do frango, especialmente devido à restrição do gado nos Estados Unidos, onde o rebanho atingiu o menor nível em cinco décadas.

Nos últimos dois anos e meio, as margens da carne de frango apresentaram resultados expressivos em todo o mundo, impulsionadas por problemas genéticos que limitaram a expansão da oferta de aves, além do custo mais acessível dos grãos utilizados na ração animal. No Brasil, empresas como Seara e BRF alcançaram as maiores margens de sua história, enquanto no mercado americano, Pilgrim’ Pride (controlada pela JBS) e Tyson Foods também obtiveram resultados notáveis.

De acordo com uma entrevista recente de Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, ao The AgriBiz, a expectativa é que o ciclo positivo do frango continue por mais tempo. No entanto, as margens elevadas dos últimos anos podem não ser sustentáveis a longo prazo, o que pode representar um desafio para a valorização das ações da MBRF na bolsa de valores.

Analistas da XP Investimentos, liderados por Leonardo Alencar, projetam uma acomodação das margens dos negócios da BRF nos próximos anos. A margem Ebitda ajustada, que atingiu 17,1% no ano passado, deve apresentar uma ligeira redução para 16,3% neste ano e 15,3% no próximo. Apesar de serem margens ainda consideradas positivas, a diminuição gradual da rentabilidade, refletindo a normalização do ciclo do frango, pode dificultar a valorização das ações da MBRF.

A XP estima que a BRF representará quase 80% do Ebitda da MBRF nos próximos dois anos, tornando o ritmo de normalização das margens do frango um fator crucial para a avaliação e os resultados no curto prazo. Nesse período, a National Beef, unidade de carne bovina da MBRF nos Estados Unidos, continuará a enfrentar margens pressionadas devido à escassez de gado, com uma recuperação substancial prevista apenas para 2029.

Diante desse cenário, qualquer resultado positivo para a MBRF deve vir do ciclo do frango, uma vez que o negócio de carne bovina na América do Sul perdeu relevância no conjunto da empresa, representando apenas 11% do total.

Via InfoMoney

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.