Pesquisa revela que brasileiros priorizam apostas em vez de alimentação

Brasileiros estão cortando gastos com comida para apostar, segundo pesquisa recente.
16/07/2025 às 17:23 | Atualizado há 8 meses
               
Apostas digitais no Brasil
Discussão no Senado revela os impactos negativos das apostas na vida dos brasileiros. (Imagem/Reprodução: Tecmundo)

Um levantamento recente do Banco Central (BC) revelou um fluxo de R$ 22 bilhões de contas de pessoas físicas diretamente para plataformas de apostas digitais no Brasil, no primeiro trimestre de 2025. A informação foi apresentada durante uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as chamadas bets, levantando discussões acaloradas sobre o impacto financeiro e social desse fenômeno.

Durante a Sessão Deliberativa Ordinária no Senado, o senador Humberto Costa (PT/PE) expressou preocupação com a projeção de que, mantido o ritmo, os gastos com apostas pelos brasileiros podem alcançar a marca de R$ 270 bilhões até o final de 2025. Segundo o senador, esse valor equivale a 84% de todo o varejo de carne bovina do Brasil em 2024, conforme análise de Rafael Furlanetti, diretor Institucional da XP.

Além do impacto econômico, a pesquisa revelou que 29% dos entrevistados admitem destinar parte do orçamento de lazer para as apostas digitais. Outro dado alarmante é que 18% dos participantes da pesquisa relataram ter reduzido o consumo de carne ou refeições fora de casa para manter o valor destinado às apostas, a chamada banca.

Em outras palavras, uma parcela significativa da população, especialmente a de menor renda, está priorizando as bets em detrimento de necessidades básicas como alimentação. Essa mudança de prioridade tem gerado debates sobre as consequências sociais e econômicas do crescimento das apostas digitais no Brasil.

O impacto das bets não se restringe apenas ao consumo de bens essenciais. O debate no Senado também abordou o estudo “O impacto das bets na educação superior”, realizado pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e pela Educa Insights. Uma das principais conclusões é que 34% dos entrevistados afirmaram que precisariam interromper as apostas para conseguir iniciar seus estudos no primeiro semestre de 2025.

A pesquisa estima que 986 mil pessoas podem não efetivar a matrícula na graduação no primeiro semestre de 2026 devido ao comprometimento financeiro com sites de apostas. De acordo com o levantamento, 52% dos entrevistados apostam regularmente, de uma a três vezes por semana. Os valores investidos variam entre R$ 421 por mês nas classes D e E, e R$ 1.210/mês na classe A.

Durante a Sessão Deliberativa Ordinária, os senadores manifestaram preocupação com o aumento das bets e a necessidade de medidas para conter essa tendência. O senador Eduardo Girão (NOVO/CE) criticou a liberação das bets, argumentando que a medida pode ser um “desastre”. O senador Izalci Lucas (PL/DF) ressaltou que as bets têm sido um destino para o dinheiro recebido do Bolsa Família em muitas famílias.

O senador Chico Rodrigues (PSB/RR) defendeu a implementação de uma cobrança de imposto substancial sobre as bets. Segundo ele, famílias que recebem benefícios sociais estão utilizando o dinheiro em jogos de risco, o que tem gerado preocupação em toda a sociedade brasileira.

Via Tecmundo

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.