O dólar mantém sua posição de destaque como moeda global, sendo utilizado em cerca de 70% das transações internacionais. A confiança no sistema financeiro americano e na sua economia robusta garante essa preferência. Dados do FMI mostraram que, embora as reservas em dólar tenham diminuído, ele ainda representa 58% das reservas globais dos bancos centrais.
Historicamente, moedas como a libra esterlina foram utilizadas como padrões na economia. O surgimento do dólar como moeda padrão ocorreu no pós-guerra, com acordos que estabeleceram sua proeminência. A resistência à desdolarização reflete a necessidade de um emissor que ofereça estabilidade econômica e segurança jurídica, desafios que outros países ainda não conseguiram superar.
Países como Brasil e Rússia buscam alternativas ao dólar, promovendo transações com moedas locais. Contudo, o fortalecimento do yuan e a diversificação das reservas ainda se deparam com a resistência do sistema financeiro global, que é fortemente baseado no dólar. A desdolarização é uma meta que, segundo especialistas, levará décadas para ser alcançada.
O dólar se mantém como uma das moedas mais influentes globalmente, impulsionado pelo sistema Swift e sua vasta utilização em transações internacionais. Em 2024, dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) revelaram que 58% das reservas globais dos bancos centrais eram alocadas em dólar, representando um declínio em relação aos 70% registrados no início do século, o que levanta questões sobre o futuro da dominância do dólar.
Historicamente, as relações comerciais entre países buscam uma moeda de valor comum para facilitar os pagamentos, como a libra esterlina no século XIX. A adoção de uma moeda padrão fortalece a economia e a influência do país emissor, um cenário que nem sempre agrada a todas as nações.
A universalização do dólar iniciou-se em 1944 com o acordo de Bretton Woods, estabelecendo o FMI e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), que regulamentavam as taxas de câmbio utilizando o dólar como referência, atrelado ao ouro.
Carla Beni, economista da FGV, destaca que a escolha do dólar como moeda global foi influenciada pela significativa contribuição financeira dos Estados Unidos na criação desses órgãos. Desde então, o dólar tem sido amplamente utilizado nas negociações entre países.
Atualmente, o dólar é utilizado em aproximadamente 70% das transações econômicas internacionais e representa 60% das reservas cambiais globais, conforme dados do FMI. Luis G. Ferreira, da EFG Asset Management, atribui a força do dólar à confiança na economia dos EUA, à liquidez e previsibilidade dos mercados financeiros americanos e à solidez do sistema jurídico do país.
Diversos países, incluindo o Brasil na cúpula do Brics, expressam interesse na desdolarização da economia, defendendo negociações com moedas locais. Essa postura, defendida por Lula e Putin, já gerou tensões com os Estados Unidos, que ameaçaram tarifar membros do grupo.
Maurício Takahashi, da Universidade Mackenzie, define desdolarizar como a redução da dependência do dólar em transações comerciais e reservas. Ferreira aponta três formas de desdolarização: uso de moedas locais em acordos bilaterais, desenvolvimento de sistemas de pagamento alternativos e diversificação das reservas dos bancos centrais.
No entanto, o processo é complexo, considerando que a economia dos EUA representa 25% da economia mundial. A substituição do dólar requer um emissor que ofereça estabilidade macroeconômica, segurança jurídica e infraestrutura financeira comparável, além da confiança dos agentes privados.
A criação do euro em 1999 ilustra esse desafio. A União Europeia definiu o euro como moeda para promover a integração econômica e rivalizar com o dólar. Contudo, o euro representa apenas 20% das reservas mundiais.
A Rússia, no Brics, é uma das principais defensoras do enfraquecimento do dólar, especialmente após as sanções econômicas decorrentes da guerra na Ucrânia. O Brics busca reduzir a vulnerabilidade de seus membros ao controle do dólar sobre o sistema financeiro global, embora enfrente desafios como controles de capital e volatilidade cambial.
Matheus Spiess, economista da Empiricus, ressalta que há um esforço para diversificar as reservas, incluindo moedas fortes como o euro, libra esterlina, franco suíço e iene japonês, além de metais preciosos como o ouro.
O yuan chinês também tem ganhado destaque, com pagamentos nessa moeda saltando de zero em 2014 para 20% em 2021. A China utiliza sua moeda em negociações com ao menos 125 países.
A economista da FGV aponta que um país sozinho não consegue se desdolarizar, pois muitos parceiros comerciais negociam em dólar. O Brasil tem diversificado sua reserva internacional, com 5% em yuan. Rochlin, da FGV, acredita que a desdolarização do Brasil é um processo que levará muitas décadas.
Embora o futuro da dominância do dólar seja incerto, sua posição como principal moeda de reserva e transação global permanece forte, impulsionada pela robustez da economia americana e pela confiança global em seus mercados financeiros.
Via Forbes Brasil