285 artigos científicos retratados continuam sendo citados em pesquisas

Estudo da UFPE mostra que 285 artigos retratados ainda são citados, impactando a confiança na ciência.
31/01/2026 às 06:42 | Atualizado há 2 horas
               
A maioria dos trabalhos analisados pela pesquisadora durante o doutorado representa 76%. (Imagem/Reprodução: Redir)

Um estudo da UFPE identificou que 285 artigos científicos retratados, por motivos como fraude e erros, continuam sendo citados em novas pesquisas. Isso representa 76% dos trabalhos analisados entre 2002 e 2022, o que pode comprometer a confiança na ciência.

A pesquisadora Karen Isabelle dos Santos d’Amorim destaca que as áreas de saúde e biológicas são as mais afetadas, com artigos que seguem sendo usados mesmo após retratações. Ela ressalta a importância de avisos claros para evitar a propagação de informações equivocadas.

Esse monitoramento é fundamental para garantir a integridade da pesquisa científica. A análise reforça a necessidade de aprimorar o processo de retratação a fim de proteger a credibilidade das publicações e o conhecimento científico.

Um estudo realizado na UFPE identificou que 285 artigos científicos despublicados continuaram a ser citados em novas pesquisas, representando 76% dos trabalhos analisados. Essas retratações ocorreram devido a má conduta, fraude, erros editoriais e autoria, mas mesmo assim, esses estudos seguem sendo referenciados, o que pode afetar a confiança na ciência.

A pesquisadora Karen Isabelle dos Santos d’Amorim analisou 375 artigos entre 2002 e 2022, publicados em diversos periódicos latino-americanos. Ela constatou que 45,2% das retratações resultaram de má conduta ou fraude. Cerca de 32,8% dos pedidos de retratação vieram de terceiros — pesquisadores que apontaram problemas como plágio ou manipulação de dados — e 20% foram feitos pelas próprias revistas.

Os artigos das áreas de saúde e ciências biológicas são os mais citados mesmo após a retratação, o que pode ampliar a desinformação. Um exemplo conhecido é o estudo publicado em 1998 no The Lancet, que associava a vacina tríplice viral ao autismo e levou anos para ser retratado, mas ainda é usado por grupos negacionistas.

D’Amorim destaca que o sistema acadêmico baseado em “publicar ou perecer” contribui para esses casos. Ela recomenda que os avisos de retratação sejam claros para cientistas e para o público geral, evitando a permanência de informações erradas na literatura e na sociedade.

Esse monitoramento dos artigos despublicados é fundamental para aprimorar a integridade científica e garantir que a pesquisa continue confiável.

Via Folha de S.Paulo

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