12/12/2025 às 06:21 | Atualizado há 4 meses
               
O estudo apresenta um método inovador para entender a propagação de informações falsas entre animais. (Imagem/Reprodução: Redir)

Pesquisas recentes destacam que a disseminação de fake news não é exclusividade humana e também afeta peixes, representando riscos para sua sobrevivência. Cientistas da Universidade Cornell, nos EUA, observam que cardumes podem sofrer impactos negativos quando indivíduos interpretam informações erradas, como falsos alarmes sobre predadores, e espalham reações desnecessárias.

O biólogo Andrew Hein, autor do estudo publicado na revista Interface, analisou o comportamento de peixes ao redor da ilha polinésia Moorea. Ele constatou que, embora o mecanismo de alarme coletivo ajude na proteção contra ameaças reais, as reações a sinais falsos geram custos significativos para o grupo. Reagir frequentemente a falsos alarmes pode comprometer a capacidade dos peixes de se alimentarem, afetando seu bem-estar e até sua sobrevivência.

Para lidar com essa situação, os peixes reduzem sua sensibilidade a movimentos quando estão em grupos maiores, minimizando a propagação de informações falsas. Hein acredita que esse modelo natural pode inspirar estratégias para combater a desinformação em outros sistemas, inclusive humanos.

Especialistas ressaltam que a desinformação é um fenômeno estrutural em sistemas de comunicação, influenciado por ruídos e interpretações imperfeitas. Enquanto isso, pesquisadores buscam modelos matemáticos para aprofundar o entendimento desse fenômeno na natureza e suas consequências sociais.

Além de contribuir para a conservação de espécies aquáticas, a pesquisa abre caminhos para entender como a comunicação e a cooperação adaptativa funcionam perante informações erradas, um desafio presente tanto em ecossistemas naturais quanto no ambiente digital.

Via Folha de S.Paulo

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