A história do Patinho Feio marca o nascimento do primeiro computador brasileiro, desenvolvido há mais de 50 anos na Escola Politécnica da USP. Projetado em meio a políticas protecionistas do regime militar, o equipamento tinha 4 KB de memória e 60 kg, funcionando com cartões perfurados e chaves manuais. Diferente dos modelos atuais, desligar o Patinho Feio apagava todos os dados, exigindo que as instruções fossem reintroduzidas manualmente para cada demonstração.
A iniciativa surgiu para reduzir a dependência de máquinas estrangeiras e incentivar a tecnologia nacional, com apoio financeiro da Marinha. Apesar do protótipo não ter sido comercializado, ele abriu caminho para projetos posteriores, como o G-10 e o MC 500, produzidos pela empresa estatal Cobra, que tentou consolidar uma indústria brasileira de informática.
O avanço teve fim nos anos 1980 com a crise econômica, aumento da dívida externa, e pressão dos Estados Unidos para abertura do mercado. A flexibilização das regras permitiu a entrada massiva de produtos estrangeiros, enfraquecendo fabricantes nacionais e levando à desestruturação da indústria de computadores.
O legado do Patinho Feio evidencia o potencial tecnológico brasileiro, que enfrenta desafios para se destacar globalmente. Enquanto o investimento em pesquisa e desenvolvimento encolheu, o País mantém competência em áreas como engenharia e programação, porém sofre com a fuga de talentos. Projetos como o Pix demonstram que a infraestrutura acumulada pode gerar soluções de impacto, desde que haja incentivos adequados para inovação.
Via Super