18/12/2025 às 11:22 | Atualizado há 3 meses
               
A preferência por 'enteógeno' eleva o misticismo além do necessário, obscurecendo a compreensão. (Imagem/Reprodução: Redir)

Nos debates atuais sobre substâncias psicoativas, a exigência do termo enteógeno em lugar de “psicodélico” tem sido considerada autoritária por especialistas. A palavra psicodélico, criada por Humphry Osmond nos anos 1950, carrega uma história que vai além da etimologia, passando pelo imaginário social das últimas sete décadas. Osmond buscou um termo que expressasse a capacidade dessas substâncias de revelar a alma, em contraste com termos negativos como “psicotomimético” e “alucinógeno”.

Por outro lado, o termo enteógeno surgiu para indicar o uso ritualístico dessas plantas em culturas originárias, evitando o estigma associado ao uso recreativo. No entanto, essa palavra pode acabar confinando o debate a um campo místico e religioso, excluindo outras formas legítimas de experiência com essas substâncias, como o uso adulto, leigo ou terapêutico.

Também há discussões sobre os chamados psicoplastógenos, compostos farmacológicos que tentam reproduzir efeitos terapêuticos sem os efeitos psicodélicos tradicionais. Essa tendência mostra um movimento para controlar e domesticar essas experiências, alinhando-as ao conservadorismo da indústria farmacêutica e neuropsiquiátrica.

O debate revela, assim, uma tensão entre o reconhecimento da diversidade e da autonomia na experiência com essas substâncias e as tentativas de impor definições restritivas. A valorização do uso integral da experiência subjetiva, inclusive em processos de cura, é defendida contra o puritanismo que limita os caminhos possíveis da psicodelia.

Via Folha de S.Paulo

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