Um estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution indica que a homossexualidade em animais, especialmente em primatas não humanos, pode ter uma raiz evolutiva profunda. A pesquisa reuniu dados sobre 491 espécies e identificou comportamentos sexuais entre indivíduos do mesmo sexo em 59 delas, o que corresponde a 12% do total analisado.
Os cientistas descobriram que essas interações são mais comuns em grupos que vivem em ambientes hostis, sob ameaças constantes de predadores ou com recursos limitados. Além disso, o comportamento é mais frequente em espécies com estruturas sociais complexas, onde relações sociais contribuem para a sobrevivência do grupo.
Segundo o principal autor, biólogo Vincent Savolainen, o comportamento pode ajudar a aliviar tensões e fortalecer laços sociais em períodos de estresse. Ele destaca que, apesar de parecer um paradoxo evolutivo, já que a reprodução é o principal foco da transmissão genética, a sexualidade entre indivíduos do mesmo sexo pode representar uma estratégia social adaptativa.
Exemplos incluem macacos rhesus que formam coalizões entre machos homossexuais, aumentando seu acesso a parceiras. Também foram citados gorilas-das-montanhas, onde o dimorfismo sexual e as hierarquias sociais influenciam as relações dentro do grupo.
A análise aponta que fatores ambientais, a história de vida das espécies e sua organização social se interligam para favorecer tais comportamentos. Os pesquisadores afirmam que pressões ecológicas e sociais moldam essa flexibilidade comportamental, que pode ter precedentes nos ancestrais humanos enfrentando desafios semelhantes.
Via Folha de S.Paulo