No Pantanal Norte, em Mato Grosso, pesquisadores captaram imagens raras de onças-pintadas em grupo, desafiando a ideia de que esses felinos são sempre solitários. Câmeras próximas a currais eletrificados registraram uma fêmea adulta, dois filhotes subadultos e um jovem macho aparentado circulando juntos, observando e reagindo ao ambiente em poucos minutos.
Esses registros fazem parte de um estudo publicado na revista científica Biota Neotropica, que investiga a interação social e o comportamento de onças-pintadas na região, especialmente sua relação com a pecuária local. O uso de cercas elétricas nos currais tem mostrado ser efetivo para reduzir ataques ao gado e influencia o modo como os animais jovens exploram o território.
As câmeras revelaram que um filhote recebeu um choque ao se aproximar da cerca, desencadeando um comportamento cauteloso em outros membros do grupo. A fêmea, identificada como Baia, exibe tolerância incomum ao aceitar um jovem macho não filho em seu grupo, sugerindo um vínculo maior que ultrapassa o cuidado maternal convencional.
Além disso, os felinos visitam carcaças, indicando coordenação na exploração dos recursos naturais, o que amplia o conhecimento sobre a vida social dessa espécie. O estudo mostra que as onças-pintadas aprendem observando umas às outras, ajustam suas ações e evitam áreas com riscos humanos, o que pode facilitar a convivência harmoniosa entre esses felinos, pecuaristas e o ecossistema local.
Essa nova perspectiva amplia o entendimento sobre as estratégias de comportamento de animais considerados solitários, sugerindo uma complexidade social ainda pouco explorada.
Via Folha de S.Paulo