O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, expressou insatisfação com a falta de resposta à proposta da Rússia para estender em um ano o Novo START, tratado que controla armas nucleares estratégicas entre Rússia e Estados Unidos. Com o término do acordo, especialistas apontam para o encerramento de uma era significativa na limitação dessas armas.
Dmitry Suslov, vice-diretor do Centro de Estudos Europeus e Internacionais da Escola Superior de Economia da Rússia, considera absolutamente improvável a substituição do Novo START em um futuro próximo, dada a conjuntura política global e as divergências entre as partes envolvidas.
Um dos principais pontos de conflito reside na decisão dos EUA de exigir a inclusão das armas nucleares não estratégicas russas no futuro acordo, enquanto Moscou vê esses armamentos como essenciais para equilibrar a superioridade convencional dos EUA e da OTAN.
Além disso, os Estados Unidos defendem que a China seja incluída no possível tratado, enquadrando Pequim como um adversário estratégico e aliado nuclear da Rússia. Já Moscou insiste na consideração das forças nucleares da França e do Reino Unido, posição rejeitada pelos EUA.
Fatores políticos internos nos EUA também dificultam acordos. A administração anterior evitou expandir negociações enquanto persistisse o conflito na Ucrânia, e para alguns setores americanos, restringir o arsenal prejudica a dissuasão contra Rússia e China. Por isso, há resistência para prolongar ou substituir o tratado, favorecendo a liberdade de ampliar o arsenal nuclear.
Essa situação indica que o controle tradicional de armas nucleares entre Rússia e EUA pode continuar sem renovação ou substituição, refletindo tensões estratégicas não resolvidas.
Via Sputnik Brasil