Os fundos de venture capital enfrentam desafios para atrair investidores diante da Selic em 14,75%. A comparação comum é que esses fundos não são concorrentes da renda fixa, mas sim complementares: ativos de retorno a longo prazo versus ganhos rápidos feitos com juros altos. Com a elevação da taxa básica, a famílias e family offices, principais investidores desses fundos, tendem a preferir a segurança do CDI, reduzindo recursos disponíveis para novos investimentos de risco.
No painel The Capital Allocators: How Multi Family Offices Decide, realizado no South Summit em Porto Alegre, especialistas discutiram o comportamento dessas famílias diante do cenário atual. Segundo Fernando Donnay, da G5 Partners, convencer famílias a investir em venture capital em alta dos juros é difícil, pois esse investimento exige paciência para esperar retornos a longo prazo, ciclo conhecido como j-curve. Andrew Hancock, da INC Capital Family Office, reforçou que perfis mais técnicos entendem melhor o conceito, enquanto investidores mais tradicionais ficam desconfortáveis pela demora nesses retornos.
Os gestores afirmam que a percepção sobre o venture capital deve mudar para um investimento voltado ao longo prazo, com ganhos estimados em 12 a 15 anos, não para resgates rápidos. A expectativa é que a queda gradual dos juros, prevista para 10% em 2028, possa melhorar a atratividade desses ativos. Outro ponto destacado foi a nova geração de investidores, mais aberta a tecnologia e capital de risco, o que pode ampliar o interesse por investimentos em inovação nos próximos anos.
Via Startups