Startup brasileira usa IA e rastreamento para transformar manejo de gado

Conheça como uma startup está usando inteligência artificial e rastreamento em tempo real para modernizar o manejo de gado no país.
08/05/2025 às 07:17 | Atualizado há 11 meses
               

A startup gaúcha InstaBov, localizada em Santa Maria (RS), está se preparando para uma nova rodada de captação de investimentos, prevista para ocorrer em meados de 2025. O objetivo é expandir a produção e comercialização de seus dispositivos de monitoramento de gado, incluindo um colar inteligente e um brinco eletrônico de baixo custo, visando aumentar sua presença em confinamentos e propriedades de pastejo intensivo no Brasil e no Uruguai. A rodada deve ultrapassar os R$ 3 milhões investidos em 2021 pela Belgo, fornecedora de arames e soluções para cercas, que decidiu apostar nessa inovação aberta.

A ideia inicial de criar um colar para monitorar o gado surgiu com Fernando Moraes, que uniu-se a três amigos de infância, todos com formação em engenharia e experiência no campo, para resolver um problema na fazenda de sua família: o furto de gado. Em 2014, após perder animais em sua propriedade, Moraes decidiu aplicar seus conhecimentos de engenharia para criar algo que impedisse esses roubos, resultando na primeira versão da solução. O conceito evoluiu para um sistema de rastreamento por colares com GPS e sensores de movimento, conectado a um aplicativo com inteligência artificial (IA).

Comercializado desde o início de 2023, o colar já está em uso em propriedades de oito estados, além do Uruguai. No entanto, o preço de R$ 499 por unidade limita a adoção em larga escala, especialmente por pequenos e médios pecuaristas. Por isso, a InstaBov decidiu ampliar seu portfólio com um brinco inteligente, com custo unitário de R$ 45 e mensalidade de R$ 0,99, para permitir o monitoramento mais acessível dos rebanhos. A reposição dos brincos em caso de queda ou defeito está incluída no contrato, sem custo adicional para o produtor.

O brinco coleta dados de movimentação dos animais e os transmite para antenas instaladas em pontos estratégicos da fazenda, como currais, bebedouros e cochos. Com base nas informações coletadas, o sistema da InstaBov entrega três camadas de inteligência: um algoritmo comportamental que analisa a atividade dos animais e detecta anomalias, IA generativa que permite ações automáticas baseadas em comandos, e IA conversacional, na qual o produtor pode interagir por voz com o sistema.

Para Bruno Nolasco, gerente de negócios Agro da Belgo, o investimento da companhia desde o início foi ancorado no desenvolvimento de novas soluções com foco em escala. Ele destaca que o uso da IA na pecuária para o monitoramento do gado vai permitir uma gestão mais digital, com ações baseadas em dados em tempo real. A Belgo vê valor agregado no impacto prático da tecnologia no manejo de gado no Brasil. Com o brinco, o produtor sabe exatamente quantos animais tem, se algum sumiu e quando desapareceu do radar do sistema.

Para Moraes, a principal dor mapeada hoje pela InstaBov é a falta de controle de estoque animal na pecuária de escala, e não mais o roubo de gado. Ele afirma que muitos acreditam ter mil cabeças, mas só descobrem que estão com 980 no momento da venda. O brinco resolve isso em tempo real, com uma estrutura mais barata e escalável que o colar, tornando-se atrativo para confinamentos e pastagens intensivas. Outro uso em expansão é o dos animais como garantia real para crédito rural. A InstaBov está fechando um contrato com um fundo de investimentos para viabilizar linhas de capital de giro com base na comprovação de que os animais estão vivos, saudáveis e localizados.

Moraes não revela o valuation estimado para a nova rodada, mas acredita que será superior ao da entrada da Belgo. Os recursos devem ser usados para acelerar o time comercial, expandir a produção dos brincos e investir em marketing voltado ao agronegócio digital.

Via Forbes Brasil

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