As mudanças do Google, especialmente as anunciadas no Google I/O 2025, estão causando reflexões no mercado publicitário e de conteúdo. A integração do Gemini ao Chrome, que detém 77% das buscas no Brasil, liderando o mercado frente ao Safari com 15,36%, é um ponto chave. Essas alterações impactam a produção e distribuição de conteúdo, gerando um alerta importante para marcas e agências.
Em 2024, o Google obteve uma receita de US$264,5 bilhões com publicidade, representando um aumento de 11,2% em relação a 2023. Contudo, um estudo da BrightEdge, publicado no Search Engine Land, revelou que as impressões de resultados de busca cresceram 49%, mas os cliques caíram 30%, impactados pela inteligência artificial.
De acordo com Diego Ivo, CEO da Conversion, o marketing digital, a publicidade e o conteúdo estão vivendo o primeiro ponto de inflexão desde que o Google assumiu a liderança das buscas. Ele ressalta que a IA é uma ameaça que mudará tudo, mas o SEO não desaparecerá, pois aparecer no ChatGPT ou no Gemini também é responsabilidade do SEO.
Ivo ainda acrescenta que surgirá o “Branding Semântico”, onde a marca se tornará sinônimo de soluções para problemas, retomando o branding focado em benefícios e produtos. É uma das mudanças do Google que vem por ai.
Sundar Pichai, CEO do Google, mencionou o aumento expressivo das ferramentas de IA da empresa. O Google processava 9,7 trilhões de tokens por mês no ano anterior e agora processa mais de 480 trilhões, um aumento de 50 vezes. Além disso, mais de 7 milhões de desenvolvedores usam o Gemini e o uso do Gemini no Vertex AI aumentou 40 vezes.
Fabiana Baraldi, managing director da Jellyfish Brasil, entende que a integração do Gemini ao Chrome mudará a forma como os usuários acessam e interagem com os resultados de busca. Se o assistente de IA responder diretamente às perguntas no navegador, o tráfego orgânico tradicional pode diminuir, demandando maior personalização e integração entre mídia e conteúdo. Essa é uma das grandes mudanças do Google.
Os profissionais de marketing precisarão otimizar conteúdos para respostas diretas da IA e entender novos formatos de visibilidade. Isso representa um desafio e uma oportunidade para repensar formatos e dinâmicas de conteúdo.
Fernanda Massa, diretora de negócios do GDB, acredita que as mudanças do Gemini pelo Google levam o marketing digital a uma maior personalização das experiências do usuário, permitindo que marcas ofereçam conteúdos e anúncios alinhados aos interesses dos consumidores. No entanto, esse aumento de customização traz desafios em termos de privacidade de dados, exigindo práticas rigorosas de conformidade e transparência.
A discussão sobre como serão os anúncios nas LLMs é um ponto crucial. Enquanto Sam Altman, da OpenAI, indicou que não haverá anúncios, um documento do Google revelou um certo “desespero” para rodar anúncios, pois a busca orgânica mudará e a receita publicitária poderá diminuir.
Diego Ivo conclui que o SEO e o orgânico crescerão, pois anúncios em interfaces conversacionais não são bem recebidos. A publicidade precisará ser repensada, e o orgânico se tornará mais importante.
Via Forbes Brasil