O que Paula Packer disse sobre o agro brasileiro na COP30

Paula Packer comenta sobre o papel do Brasil na COP30 e a atuação do agro na sustentabilidade.
05/06/2025 às 06:18 | Atualizado há 3 meses
Brasil na COP30
Agronegócio: protagonista ambiental com práticas sustentáveis e foco no carbono. (Imagem/Reprodução: Forbes)

O Brasil tem intensificado seus esforços para se destacar como uma potência Brasil na COP30, buscando apresentar ao mundo as práticas sustentáveis e inovações que já são realidade no agronegócio nacional. A engenheira agrônoma Paula Packer, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, ressalta a importância de comunicar esses avanços, para que o país deixe de ser visto apenas como um “vilão da natureza”.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, Paula Packer destacou as ações cruciais que o agronegócio brasileiro deve priorizar. Entre elas, o estímulo ao mercado de carbono, o desenvolvimento de tecnologias verdes e a divulgação de soluções eficazes para a redução de gases de efeito estufa. O objetivo é que essas iniciativas cheguem consolidadas para a COP 30, que será realizada em Belém, no Pará, em novembro de 2025.

A agropecuária, apesar de ser responsável por uma parcela das emissões de gases poluentes, também se destaca como um importante captador de carbono. O setor tem investido em práticas como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), técnicas regenerativas para a saúde do solo, redução do ciclo produtivo de bovinos, recuperação de pastagens, uso de biofertilizantes e fomento à pesquisa.

Segundo Paula Packer, é essencial que o setor não apenas implemente essas práticas, mas também as comunique de forma eficiente. Esse é um dos principais desafios da Embrapa, que busca fornecer pesquisas, inovações e auxílio aos produtores, além de contribuir para a criação de políticas públicas. O agronegócio brasileiro terá um espaço próprio na COP 30, a Agrizone, localizada na sede da Embrapa Amazônia Oriental, onde serão apresentadas tecnologias e promovidas discussões sobre o tema.

A lentidão no desenvolvimento de tecnologias e políticas ambientais tem sido um obstáculo para o mercado de carbono, não só no Brasil. Paula Packer enfatiza que a agricultura ainda precisa criar indicadores, métricas e protocolos para participar ativamente do mercado de serviços ambientais. Ela também destaca a complexidade de criar um protocolo de cálculo de emissões que se adapte às diferentes realidades dos biomas e regiões brasileiras.

A regulamentação do mercado de carbono no Brasil, implementada em dezembro do ano passado, é um passo importante. O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) permite a negociação de cotas de emissão e créditos de carbono, incentivando a redução de gases de efeito estufa. No entanto, é fundamental considerar a tropicalização das métricas de emissões, adaptando os cálculos às condições locais de solo e clima, e garantir que essa fórmula seja aceita pelos compradores estrangeiros.

O Brasil se encontra em um momento decisivo para se posicionar como um líder agrícola e ambiental. A COP 30 impulsiona a união de lideranças científicas, parceiros e produtores para mostrar a sustentabilidade do setor produtivo brasileiro.

Via Forbes Brasil

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.