A manutenção da nota de crédito do Brasil em “Ba1” pela Moody’s, embora indique menor vulnerabilidade a riscos no curto prazo, revela incertezas econômicas. A decisão surge após o rebaixamento da nota dos Estados Unidos, expondo uma crescente preocupação global: o descompasso entre crescimento econômico e aumento dos gastos públicos, gerando problemas de crédito. Mas, o que está por trás desse cenário e quais são os seus impactos?
As agências de risco avaliam diversos fatores para classificar as nações, desde a relação dívida/PIB até a estabilidade institucional e o histórico de pagamentos. Essas notas, que variam de “Aaa” (livres de risco) a “D” (inadimplente), influenciam diretamente a confiança dos investidores e as estratégias de alocação de recursos no mercado global.
O rebaixamento dos EUA demonstra que mesmo os títulos públicos americanos já não são considerados “portos seguros”. A Moody’s justificou a sua decisão com base no aumento da dívida pública e na falta de soluções para os problemas fiscais do país, projetando um aumento significativo na relação dívida/PIB para os próximos anos.
O aumento das dívidas públicas não é exclusividade dos EUA. Gastos com a pandemia, envelhecimento da população, mudanças climáticas, despesas militares e a desaceleração do crescimento econômico contribuem para esse cenário. O Reino Unido e o Japão, por exemplo, enfrentam relações dívida/PIB elevadas, de 100% e acima de 250%, respectivamente.
Para os investidores, a diminuição de países com notas máximas pelas agências de risco pode levar a uma busca por ativos de maior risco em busca de retornos mais elevados. Títulos soberanos, antes considerados seguros, já não oferecem a mesma proteção a longo prazo.
Apesar do cenário preocupante, alguns países como Alemanha, Austrália, Canadá, Dinamarca, Holanda, Noruega, Luxemburgo, Singapura, Suécia e Suíça, mantêm a classificação “Aaa” pelas três maiores agências de risco, mostrando que a gestão fiscal responsável ainda é possível. A situação exige atenção e medidas para garantir a estabilidade econômica global.
Via Forbes Brasil