Impacto das Metas ESG nos Salários de Executivos no Brasil

Entenda como as práticas ESG afetam os salários dos executivos nas empresas brasileiras.
06/06/2025 às 08:32 | Atualizado há 3 meses
Metas ESG impactam salários
75% das empresas de capital aberto ligam sustentabilidade à remuneração da liderança. (Imagem/Reprodução: Forbes)

No mundo corporativo atual, a sustentabilidade deixou de ser apenas um discurso e se tornou um fator crucial na remuneração dos executivos. Uma pesquisa recente da KPMG revelou que Metas ESG impactam salários em 78% das empresas de capital aberto, abrangendo 375 companhias em 15 países. Essa tendência crescente vincula objetivos de mudanças climáticas e diversidade aos bônus e à participação nos lucros dos cargos de liderança, refletindo uma mudança significativa na forma como as empresas avaliam e recompensam seus líderes.

Entre as empresas que adotam metas sustentáveis, 37% aplicam os critérios tanto para bônus de curto quanto de longo prazo, enquanto 23% focam apenas no longo prazo, e 40% no curto prazo. Esse alinhamento com temas ESG (ambientais, sociais e de governança) é adotado por 88% das companhias que seguem esse modelo, demonstrando uma estratégia concreta de mitigação de riscos e geração de valor sustentável. A líder de ESG da KPMG nas Américas, Nelmara Arbex, explica que a não conformidade com metas como a redução de emissões de gases de efeito estufa ou a promoção da diversidade na alta gestão pode resultar na redução da remuneração variável dos executivos.

Para garantir a eficácia dessas metas, as empresas precisam estabelecer critérios claros e mensuráveis. A remuneração variável pode ser atrelada a qualquer objetivo que possua uma forma de medição. Os relatórios de sustentabilidade são ferramentas essenciais para acompanhar os resultados, abrangendo dados quantitativos (emissões, índices de diversidade) e qualitativos (avaliações de impacto social). É comum que todos os membros do comitê executivo sejam afetados pelo atingimento ou não de determinadas metas.

No Brasil, embora não tenha sido incluído na pesquisa da KPMG, diversas empresas já adotam esse modelo há anos. A Natura, por exemplo, foi uma das pioneiras ao atrelar bônus ao cumprimento de metas ambientais e sociais, integrando esses critérios à sua estratégia de longo prazo desde 2022. Segundo Arbex, há um movimento crescente e robusto no Brasil, onde grandes empresas com metas sociais e ambientais específicas refletem isso na remuneração de seus líderes executivos.

Empresas como Klabin, Ambev, Grupo Boticário e Vivo também seguem essa tendência, cada uma com suas particularidades. A Klabin integra esses objetivos em seu “Índice ESG“, que influencia diretamente a remuneração de curto prazo dos executivos, com indicadores como corte nas emissões de CO₂, menor consumo de água, uso de madeira certificada e presença feminina em cargos de liderança. Na Volkswagen, o desempenho em temas como descarbonização e diversidade atua como um fator multiplicador do bônus anual da liderança.

No Grupo Boticário, indicadores de diversidade, inclusão e economia circular passaram a compor a remuneração variável da liderança desde 2022. Na Vivo, 20% do bônus anual e 10% da remuneração de longo prazo dos executivos estão vinculados a metas ambientais e sociais monitoradas por um plano com mais de cem indicadores. Essa tendência reflete a crescente pressão dos investidores e a percepção de que ignorar temas como as mudanças climáticas e a diversidade pode trazer prejuízos concretos, enquanto a incorporação de transformações sociais e ambientais ao modelo de negócio pode gerar novas receitas e atrair investidores comprometidos com a criação de valor de longo prazo.

Via Forbes Brasil

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.