O Brasil anunciou recentemente um plano para assegurar que os recursos discutidos durante a COP29 sejam destinados adequadamente até a COP30. A proposta, denominada Financiamento climático COP30, foi apresentada pela embaixadora do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito, na Conferência de Bonn, Alemanha. Segundo ela, o roteiro serve para orientar as delegações sobre as ações necessárias para o financiamento climático e o combate às mudanças climáticas.
Rosito enfatizou que é crucial que o documento seja “claro, crível e acionável”, integrando as políticas macroeconômicas dos países e impactando todas as camadas da sociedade. O plano busca mobilizar um considerável montante de recursos, cerca de US$ 1,3 trilhão para o financiamento climático. Essa quantia visa fomentar ações que reverterão os efeitos das alterações climáticas globais.
Ana Toni, CEO da COP30, destacou que o roteiro ajuda na reformulação da “arquitetura financeira global”, focando na mobilização de recursos que atendam às necessidades emergentes advindas do aquecimento global e nas mudanças nos ecossistemas. Ela reforçou a necessidade de que os países em desenvolvimento recebam apoio financeiro suficiente, não só para a transição energética, mas também para a preservação de florestas, oceanos e outros recursos naturais.
Além disso, a embaixadora Rosito representou Fernando Haddad, ministro da Fazenda do Brasil e líder do Círculo de Ministros de Finanças da COP30. Essa abordagem visa retirar a responsabilidade unicamente dos ministros do meio ambiente, integrando líderes do setor financeiro, da economia e da fazenda nas discussões. Com isso, espera-se que os principais alocadores de recursos estejam envolvidos no financiamento governamental voltado para o clima.
Simon Stiell, secretário da Convenção da ONU sobre Mudança do Clima, disse que a agenda climática deve evoluir para além de números e prazos, que servem apenas como um teste de credibilidade. A necessidade de escalar o financiamento é evidente, e é essencial expandir as opções de financiamento público, incluindo subsídios e mecanismos que não dependam de dívida. É necessário simplificar o acesso a esses recursos e aproveitar capital estratégico em larga escala.
Rosito também mencionou que o Círculo de Ministros de Finanças da COP30 examina condições diferenciadas de financiamento para os países em desenvolvimento, focando na adaptação e nos impactos que essas nações já estão enfrentando. O governo brasileiro considera vital a inclusão de investidores e capital privado, além da criação de plataformas que conectem esses recursos a iniciativas locais que promovam o desenvolvimento socioambiental.
Além disso, a precificação de carbono e a regulação dos Bancos Nacionais estão entre os tópicos abordados, que exigem uma supervisão adequada para assegurar que os mercados financeiros atendam às demandas climáticas. A embaixadora ressaltou o compromisso do governo em apresentar um documento bem estruturado, com recomendações práticas e exemplos de ações que possam tornar esse processo mais inclusivo e eficaz.
Via Exame