Startup investe R$ 100 milhões para evitar cancelamentos de cirurgias

Startup aplica R$ 100 milhões para compra de empresas, visando eliminar o medo de cancelamentos de cirurgias.
20/06/2025 às 09:18 | Atualizado há 2 meses
Gestão de saúde digital
Startup investe R$ 100 milhões na aquisição de empresas para reduzir o medo de cancelamentos. (Imagem/Reprodução: Exame)

Uma questão alarmante no Brasil é o cancelamento de mais de 50.000 cirurgias anualmente, devido a problemas organizacionais. Muitas dessas cirurgias são canceladas na véspera ou mesmo no dia do procedimento. Exames não entregues, orientações mal compreendidas por pacientes e falhas na comunicação entre plantões são fatores que contribuem para essa situação. Isso causa longas filas no setor público e prejuízos significativos no setor privado.

A Galileu Saúde, uma healthtech fundada em 2021 em São Paulo, busca solucionar esse desafio. A empresa se apresenta como uma plataforma que permite a hospitais e operadoras de saúde gerenciar custos, equipamentos e a jornada do paciente de forma digital. Recentemente, a Galileu anunciou a aquisição da Teller Saúde, sua quarta compra em menos de um ano. O foco da Teller está na gestão da etapa cirúrgica, abrangendo desde o agendamento até a alta hospitalar.

Com essa nova aquisição, a Galileu pretende integrar completamente a jornada do paciente, almejando dobrar seu faturamento e alcançar 150 milhões de reais. Nos últimos 12 meses, a Galileu investiu mais de 100 milhões de reais na aquisição de quatro empresas, todas com propostas que complementam a digitalização da gestão de saúde pública e privada.

Seu CEO, Márcio Alves, afirmou que a estratégia não é apenas comprar receita, mas sim capacidades. “Agora, com a Teller, conseguimos atuar dentro do hospital, organizando o coração do problema: a cirurgia”, reforça Alves. A nova meta da Galileu é acompanhar 80.000 cirurgias anualmente até 2027, criando uma plataforma que conecta todos os envolvidos no processo: pacientes, médicos, hospitais e operadoras. Segundo Alves, o número alto de cancelamentos devido a falhas de comunicação reflete a fragmentação do sistema de saúde no Brasil.

A Galileu foi idealizada em 2019, quando Alves, que havia liderado projetos de digitalização na Amil, percebeu um grande descompasso entre a qualidade dos serviços de saúde em grandes hospitais e unidades públicas. Isso levou ao desenvolvimento de um sistema que incluía diagnóstico automatizado com inteligência artificial, oferecendo orientações personalizadas.

Em 2021, a Galileu foi formalmente criada e, no ano seguinte, sua plataforma principal foi lançada, utilizada hoje por diversos hospitais e operadoras de saúde. A proposta inicial da Galileu é ser um orquestrador do sistema saúde, permitindo a unificação de dados e análises que priorizam um modelo de gestão preditiva.

A Teller Saúde, recentemente adquirida, organiza períodos críticos na internação, conecta plantões médicos e automatiza a preparação pré-operatória, áreas onde ocorrem os erros mais comuns. Com essa integração, a Galileu poderá acompanhar o paciente desde o primeiro exame até um ano após a alta, garantindo que todos os passos do processo sejam seguidos corretamente.

Os resultados financeiros esperados refletem essa integração. No último ano, a empresa faturou aproximadamente 75 milhões de reais e projeta um crescimento que pode dobrar esse número. A empresa acredita que o setor hospitalar está em um ponto de inflexão, onde a adoção de novas tecnologias enfrenta a realidade de custos crescentes e uma eficiência operacional estagnada. A saúde no Brasil ainda opera com métodos antiquados, e a Galileu visa transformá-la por meio de dados, integração e automação.

Atualmente, o Brasil posiciona-se como um principal hub de healthtechs na América Latina, com a Galileu à frente dessa transformação. Aproximadamente 64,8% das startups de saúde na região estão localizadas aqui, superando México e Argentina, refletindo uma demanda crescente por eficiência na gestão de saúde.

A Galileu já atingiu seu ponto de equilíbrio e está preparada para continuar expandindo suas operações. O objetivo é se tornar a plataforma de gestão da jornada do paciente no Brasil, oferecendo soluções que passam desde a atenção básica até a alta hospitalar.

Via Exame

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.