Startup investe R$ 100 milhões para evitar cirurgias canceladas

Startup destina R$ 100 milhões para adquirir empresas e minimizar cancelamentos de cirurgias.
20/06/2025 às 09:19 | Atualizado há 2 meses
Gestão de saúde digital
Startup investe R$ 100 milhões em aquisições para reduzir cancelamentos de cirurgias. (Imagem/Reprodução: Exame)

No Brasil, a desorganização em processos hospitalares leva ao cancelamento de mais de 50 mil cirurgias anualmente. Problemas como exames extraviados, despreparo do paciente e falhas na comunicação entre equipes são frequentes, impactando tanto o setor público, com o aumento de filas, quanto o privado, gerando prejuízos operacionais. A Galileu Saúde, healthtech fundada em 2021, busca solucionar essa questão através da gestão de saúde digital, oferecendo uma plataforma que otimiza custos, equipamentos e a jornada do paciente.

A Galileu Saúde recentemente anunciou a aquisição da Teller Saúde, especializada na gestão de todas as etapas cirúrgicas, desde o agendamento até a alta do paciente. Essa aquisição é a quarta realizada em menos de um ano, marcando um passo importante na estratégia de crescimento da Galileu. A meta é integrar completamente a jornada do paciente e projetar um aumento no faturamento, buscando atingir R$ 150 milhões.

Com a aquisição da Teller Saúde, a Galileu visa consolidar sua posição no mercado. Nos últimos 12 meses, a empresa investiu mais de R$ 100 milhões na aquisição de quatro empresas: Neomed (cuidado cardiovascular), Valor e Saúde (gestão de recursos de saúde), Lincon Health (monitoramento remoto de pacientes) e Teller Saúde. Todas essas empresas possuem propostas complementares, focadas na digitalização de áreas específicas da gestão de saúde, tanto pública quanto privada.

De acordo com Márcio Alves, CEO da Galileu, o objetivo não é apenas aumentar a receita, mas adquirir capacidades e tecnologias. A meta da empresa é acompanhar 80 mil cirurgias por ano até 2027, oferecendo uma plataforma que conecta pacientes, médicos, hospitais e operadoras. Alves destaca que o cancelamento de cirurgias devido à falha de comunicação é um sintoma da fragmentação do sistema de saúde brasileiro.

A Galileu surgiu em 2019, quando Márcio Alves deixou a Amil e identificou a necessidade de levar a inovação do setor privado para o Sistema Único de Saúde (SUS). A empresa lançou sua plataforma em 2021, visando unificar dados, realizar análises preditivas e adotar um modelo de gestão de saúde mais proativo. A plataforma acompanha o paciente desde o atendimento inicial até o pós-operatório, utilizando inteligência artificial e automação.

A aquisição da Teller Saúde permite que a Galileu atue diretamente na fase de internação, organizando agendas cirúrgicas e automatizando a preparação pré-operatória. Com isso, a plataforma da Galileu passa a acompanhar o paciente desde o primeiro exame até o 365º dia após a alta hospitalar, garantindo que todas as etapas do processo estejam integradas, minimizando erros e cancelamentos.

A entrada no setor hospitalar impulsiona a projeção de faturamento da Galileu, que espera dobrar sua receita, alcançando R$ 150 milhões. A empresa acredita que o setor hospitalar está em um momento de mudança, com custos crescentes devido à adoção de novas tecnologias, mas com a eficiência operacional ainda limitada. A gestão de saúde digital surge como uma solução para integrar dados e automatizar processos.

A Galileu está apostando no Brasil como um importante polo de healthtechs na América Latina. O país se destaca com 64,8% das startups de saúde da região, impulsionado pela demanda por eficiência no SUS, pela busca por competitividade no setor privado e por um ambiente regulatório favorável à digitalização. O modelo de negócio mais comum entre as healthtechs brasileiras é o SaaS (Software as a Service), e o público-alvo principal são empresas, hospitais e operadoras.

Com a nova fase de aquisições, a Galileu busca se consolidar como a principal plataforma de gestão de saúde digital no Brasil, atuando em toda a jornada do paciente. A estratégia da empresa é continuar crescendo por meio da aquisição de empresas que complementem seu ecossistema e agreguem valor através da inteligência de dados.

Via Exame

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.