Júnior e a nova Amil: como a companhia voltou a lucrar

Saiba como a nova gestão de Júnior fez a Amil retornar ao lucro.
24/06/2025 às 06:48 | Atualizado há 2 meses
Amil sob Júnior
José Seripieri transforma prejuízo em lucro e embolsa R$ 588 mi em dividendos. (Imagem/Reprodução: Investnews)

Em Brasília, em meio a discussões sobre ajustes fiscais, o empresário Amil sob Júnior, também conhecido como José Seripieri Filho, chamou a atenção ao ser cumprimentado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. A cena, testemunhada durante um evento no Guarujá, evidenciou a influência de Júnior no cenário político e empresarial brasileiro, marcando seu retorno ao centro dos holofotes após a aquisição da Amil.

José Seripieri Filho, após um período discreto, voltou ao protagonismo ao concretizar a compra da Amil por R$ 11 bilhões da UnitedHealth. A transação, uma das maiores aquisições por uma pessoa física no Brasil, colocou o empresário novamente em evidência. Para adquirir a empresa, Júnior superou Nelson Tanure, outro importante nome do mercado.

Fundada em 1978, a Amil cresceu e se tornou uma das principais operadoras de planos de saúde do país. Em 2012, foi vendida para a United por cerca de R$ 10 bilhões, atendendo atualmente mais de 5 milhões de beneficiários em planos de saúde e odontológicos.

O primeiro ano de gestão Amil sob Júnior apresentou resultados positivos, com a empresa revertendo um prejuízo de R$ 4 bilhões em 2023 para um lucro líquido de R$ 619,8 milhões no ano seguinte. Esse desempenho foi impulsionado por mudanças regulatórias que permitiram a reversão de R$ 1,2 bilhão em provisões técnicas.

Graças a esse resultado, a Amil distribuirá R$ 588 milhões em dividendos para Júnior ainda este ano, o que corresponde a mais de um quarto do valor investido na aquisição. Contudo, as condições que proporcionaram esse resultado em 2024 não devem se repetir nos próximos anos.

Grande parte do lucro veio da reversão da Provisão para Insuficiência de Contraprestações (PIC), exigida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) quando os prêmios dos planos de saúde não cobrem os custos projetados. A flexibilização dessa regra, em outubro de 2024, permitiu à Amil reduzir sua PIC de R$ 1,8 bilhão para R$ 580 milhões.

A Amil, agora sob a gestão de Júnior, enfrenta o desafio de gerar lucro de forma consistente, equilibrando fatores como sinistralidade, eficiência administrativa e crescimento rentável da base de clientes. Para isso, Júnior contratou Renato Manso, ex-executivo da Amil, para resgatar a cultura operacional da empresa, focando em corte de custos e disciplina financeira.

Além disso, Alberto Bulus e Grace Tourinho, executivos de confiança de Júnior na época da Qualicorp, foram integrados à equipe. Em um cenário regulatório cada vez mais rigoroso, a Amil sob Júnior reforçou sua política de reajustes de preços e revisão da rede credenciada.

Dados da ANS indicam que o índice de sinistralidade da Amil ficou em torno de 79% no primeiro trimestre de 2025, alinhado com a média do setor. Os dados financeiros de 2024 mostram um volume significativo de sinistros retidos, cerca de R$ 38 bilhões, e um resultado operacional positivo antes das reversões técnicas.

Quando assumiu a Amil, Júnior herdou cerca de R$ 9 bilhões em obrigações financeiras, que foram reduzidas para R$ 6,4 bilhões um ano depois. Os números do primeiro trimestre de 2025 mostram que a Amil continua lucrativa, com um lucro líquido de R$ 179 milhões, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.

A nova gestão da Amil também firmou um acordo com a Dasa para criar a Ímpar Serviços Hospitalares, unindo ativos hospitalares das duas empresas. A operação, aprovada pelo Cade, resultou em uma empresa com 25 hospitais e mais de 4 mil leitos, melhorando a sinergia operacional e permitindo a realocação de recursos.

José Seripieri Filho, antes de adquirir a Amil, já era um nome influente no setor de saúde, tendo fundado a Qualicorp em 1997. A empresa inovou ao oferecer planos coletivos por adesão, permitindo que profissionais liberais e autônomos tivessem acesso a planos empresariais com preços mais acessíveis. A Qualicorp atraiu investidores e abriu capital em 2011, consolidando Júnior como um dos principais estrategistas do mercado.

Após sua saída da Qualicorp em 2019, Júnior enfrentou acusações na Operação Lava Jato, mas fechou acordo de colaboração e pagou multas. Em 2022, tornou-se um dos maiores doadores individuais nas eleições, apoiando a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.

A proximidade de Júnior com figuras importantes da política, como o presidente Lula e o presidente da Câmara dos Deputados, demonstra sua influência nos bastidores do poder. Apesar do perfil discreto, José Seripieri Filho permanece um player relevante no cenário empresarial e político brasileiro.

Via InvestNews

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.