Tensões no Oriente Médio diminuem e impactam juros no Brasil e EUA

Com a redução das tensões no Oriente Médio, juros no Brasil e EUA apresentam alívio. Entenda os impactos dessa mudança.
24/06/2025 às 13:32 | Atualizado há 2 meses
Juros no Brasil e EUA
Tensões Irã-Israel caem, aliviando juros no Brasil e EUA. Impacto nas políticas monetárias. (Imagem/Reprodução: Infomoney)

O cenário global tem sido marcado por tensões geopolíticas, como o conflito entre Irã e Israel, que geram impacto direto nas políticas de juros no Brasil e EUA. Apesar da pressão inicial, um possível cessar-fogo anunciado por Donald Trump atenuou parte dessa instabilidade, levando economistas a adotarem uma postura de cautela e análise dos desdobramentos, principalmente no que se refere à inflação.

No Brasil, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa Selic para 15% já considerava a instabilidade no Oriente Médio. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) optou por manter a pausa nas taxas de juros, situando-as entre 4,25% e 4,5%. A recente ata do Copom e as declarações do chair do Fed, Jerome Powell, reforçam essa postura de cautela diante dos cenários interno e externo, diminuindo as expectativas de um corte de juros a partir de julho.

Analistas indicam que o ciclo de alta dos juros no Brasil e EUA só seria retomado em caso de forte pressão inflacionária ou fuga de capitais que levasse à desvalorização do real. As incertezas atuais podem prolongar a pausa e adiar o início dos cortes, com projeções variando entre o primeiro trimestre de 2026 para cenários mais otimistas e o segundo semestre do mesmo ano para os mais conservadores. Jorge Ferreira, da ESPM, ressalta que novas altas dependeriam de outros fatores econômicos, como a deterioração das expectativas de inflação ou piora fiscal.

André Matos, da MA7 Negócios, destaca que o cenário global de alta volatilidade e aversão ao risco, impulsionado por conflitos geopolíticos, afeta o ânimo dos investidores e gera incertezas sobre inflação, commodities e fluxo de capitais. Para o Brasil, o risco é a manutenção de juros no Brasil e EUA altos por um período prolongado, resultando em uma economia mais lenta nos próximos trimestres.

Jerome Powell, em suas declarações no Congresso americano, reiterou a decisão do Fed de não considerar as tensões no Oriente Médio como um fator determinante para mudanças na política fiscal. Segundo ele, ainda é prematuro avaliar o impacto do conflito na economia americana. Contudo, a redução dos preços do barril de petróleo e a ausência de impacto direto da política comercial de Trump na inflação dos EUA podem influenciar positivamente a antecipação do início da queda de juros no Brasil e EUA.

Bruno Corano, economista da Corano Capital, acredita que as flutuações de curto prazo provocadas pelo conflito não devem afetar as decisões do Fed, dado que a inflação nos EUA tem se mostrado controlada e em tendência de baixa. Ele observa que o grande receio era a disparada do petróleo, mas a queda recente dos preços indica que o conflito está perdendo força, sem causar um impacto gigante na economia mundial.

Via InfoMoney

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.