O trabalho árduo por trás do ChatGPT e suas realidades

Entenda o trabalho não tão emocionante por trás do ChatGPT.
25/06/2025 às 09:47 | Atualizado há 2 meses
Impacto global da OpenAI
Sucesso da OpenAI se conecta à exploração de pessoas e recursos naturais. (Imagem/Reprodução: G1)

O sucesso do ChatGPT e outras ferramentas de inteligência artificial da OpenAI muitas vezes nos fazem esquecer o lado menos visível dessa tecnologia. Karen Hao, autora do livro “Empire of AI”, revela que o Impacto global da OpenAI envolve a exploração de pessoas e recursos naturais, levantando questões sobre as complexas cadeias produtivas e desigualdades estruturais que sustentam o império da IA.

Hao conduziu cerca de 300 entrevistas para investigar o Impacto global da OpenAI além do Vale do Silício. Sua pesquisa aborda a crescente demanda por data centers, essenciais para processar grandes volumes de dados, e o consumo de recursos como água e energia. Ela também examina a contratação de trabalhadores em condições precárias, expostos a conteúdos nocivos para treinar os filtros das ferramentas de IA.

A autora entrevistou trabalhadores no Quênia e na Colômbia que aceitaram empregos de anotação de dados em meio a crises econômicas. No Chile, ela conversou com ativistas preocupados com o aumento de data centers e o consumo de água. Essas investigações revelam que o Impacto global da OpenAI se estende por diversas áreas, desde o meio ambiente até as condições de trabalho.

Hao destaca que a percepção de que a IA é “mágica” contribui para o sucesso comercial dessas empresas, pois os consumidores podem não estar cientes da exploração de mão de obra envolvida. Ela enfatiza a necessidade de enxergar essas empresas como “novas formas de império”, com um poder político e econômico que desafia qualquer força superior capaz de conter seu crescimento.

Em 2019, Hao teve acesso à OpenAI antes do lançamento do ChatGPT, quando escrevia um perfil sobre a empresa para a MIT Technology Review. Na época, a OpenAI era vista como um laboratório de pesquisa sem fins lucrativos, com a missão de garantir que a inteligência artificial geral (AGI) fosse usada para o benefício da humanidade.

No entanto, Hao percebeu um descompasso entre a imagem pública da empresa e o que acontecia nos bastidores. Ela notou um ambiente de sigilo e a necessidade de comercialização rápida após receber um investimento de um bilhão de dólares da Microsoft. Após a publicação de sua reportagem, a OpenAI a proibiu de falar com a empresa por três anos.

Um dos aspectos mais críticos abordados no livro é a moderação de conteúdo abusivo para IA generativa. Trabalhadores terceirizados filtram textos gerados por IA que simulam cenários de abuso, discurso de ódio e assédio. Karen Hao aponta que essa prática não é exclusiva da OpenAI, e muitas empresas terceirizam essa atividade para fornecedores no exterior.

Mophat Okinyi, um queniano que trabalhou na moderação de conteúdo para a OpenAI, é um dos personagens retratados no livro. Sua função era classificar textos com conteúdo sexual, distinguindo entre erotismo consensual e abuso sexual, incluindo casos envolvendo crianças. Okinyi desenvolveu sintomas de trauma psicológico e enfrentou dificuldades em sua vida pessoal devido ao trabalho.

Karen Hao questiona por que essas empresas não pagam salários justos aos trabalhadores, considerando que eles desempenham um papel fundamental para que elas lucrem bilhões. Ela argumenta que a OpenAI, cuja premissa é desenvolver tecnologia para gerar riqueza para a humanidade, deveria garantir melhores condições de trabalho para seus colaboradores.

A autora também aborda a crescente demanda por data centers e seu impacto ambiental. Um data center típico focado em IA consome tanta eletricidade quanto 100 mil residências, e o treinamento do modelo GPT-4 consumiu energia equivalente a 70,5 mil casas em países em desenvolvimento. Karen Hao compara o consumo de energia de uma pergunta ao chat com dez vezes o custo de uma pesquisa no Google.

Karen Hao destaca que a IA não é inevitável, mas um produto de escolhas humanas. Ela encoraja as pessoas a desempenharem um papel ativo na formação do futuro dessa tecnologia. Ela também sugere a escolha de modelos de código aberto que não compartilham da ideologia imperial sob a qual a OpenAI e o Google operam.

Aos formuladores de políticas públicas, Karen Hao argumenta que as empresas de IA dependem de uma cadeia global de suprimentos e não operam sozinhas. Ela defende que os governos não devem temer a regulação dessas empresas, pois possuem os recursos necessários para produzir as tecnologias.

Via G1

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.