A trajetória da Água na Caixa, desde sua fundação em 2021, ilustra bem os desafios e as reviravoltas do mundo do empreendedorismo. Fabiana Tchalian, com experiência prévia em grandes empresas como P&G e Amazon, imaginou que lançar água mineral em embalagens inovadoras seria mais simples. Hoje, a marca se destaca no mercado, mirando um crescimento ambicioso e a expansão de seu portfólio.
A Água na Caixa surgiu como uma alternativa consciente, oferecendo água mineral em embalagens de papel, um conceito que remete às caixas de leite longa vida. Com um design minimalista e um forte apelo ambiental, a marca conquistou espaço em diversos pontos de venda, como empórios, cafeterias e hotéis de alto padrão. A proposta da empresa é clara: oferecer um produto diferenciado, com foco na sustentabilidade e no visual.
Apesar do sucesso inicial, a Água na Caixa busca agora ampliar seu alcance, mirando o mercado nacional de hidratação. Para isso, a empresa anunciou o lançamento de três novos produtos: água com gás, água com eletrólitos e a “Caixona” de 8 litros. Com um investimento de R$ 3 milhões, o objetivo é ousado: dobrar o faturamento até 2025, atingindo a marca de R$ 40 milhões.
Uma das principais apostas da Água na Caixa para alcançar esse crescimento é o lançamento da água com gás. Inicialmente, a ideia era manter o formato de caixinha, mas a pressão do gás inviabilizou essa opção. A solução encontrada foi lançar a água com gás em latas, com um design que remete às embalagens originais, mantendo a identidade visual da marca.
Outra novidade é a “Caixona”, uma embalagem de 8 litros de água, voltada para o uso doméstico e corporativo. A proposta é substituir os tradicionais galões de plástico, oferecendo uma alternativa mais sustentável. Segundo a empresa, a “Caixona” utiliza um terço do plástico de um galão comum e oferece uma experiência superior, com uma torneira que facilita o uso.
Além disso, a Água na Caixa está entrando no mercado de hidratação funcional com o lançamento do “Mais Eletrólitos”, um sachê em pó com eletrólitos e baixo teor de açúcar, seguindo as diretrizes da OMS. O objetivo é oferecer uma opção mais saudável e eficiente para a hidratação, competindo com os isotônicos tradicionais.
A ideia da Água na Caixa surgiu em 2016, durante uma viagem de Fabiana Tchalian aos Estados Unidos. Ao se deparar com uma água mineral em uma caixinha, a executiva visualizou o potencial de um produto similar no Brasil. A dificuldade inicial foi encontrar fabricantes dispostos a produzir água mineral em caixinha e obter a Lavra, o direito de explorar uma fonte.
Para testar o mercado, a empresa começou importando água da Patagônia. O produto foi batizado de Água na Caixa, mesmo sem essa informação no rótulo, e vendido para clientes estratégicos como a Casa Santa Luzia, a Adidas Eventos e o Otávio Café. A partir daí, a empresa identificou seus três pilares: inovação, experiência e sustentabilidade.
A expansão da Água na Caixa representa um desafio, já que o modelo de negócio se baseia em preços mais altos e margens menores, com um público disposto a pagar mais por um produto com propósito e design diferenciado. Para escalar o negócio, a empresa precisa diluir seu posicionamento e enfrentar concorrentes com custos menores.
A empresa busca fortalecer sua marca e ampliar sua participação no mercado de água mineral. A Água na Caixa está presente em todos os estados do Brasil, principalmente no mercado hoteleiro. A nova fase da empresa inclui a entrada no varejo com a “Caixona” e a estreia no e-commerce com os eletrólitos, vendendo diretamente ao consumidor final.
A meta da empresa é ambiciosa: atingir R$ 40 milhões em faturamento em 2025. Além dos lançamentos já anunciados, a empresa estuda novos produtos, como água com colágeno, com proteína, saborizada ou com gás e eletrólitos. O objetivo final é se tornar referência em hidratação no Brasil, sendo a primeira marca lembrada quando o assunto é hidratação.
Via Exame