Apesar dos conflitos atuais, vislumbrar um futuro de paz entre Irã e Israel não é impossível. Há um passado de colaboração em áreas como recursos naturais e tecnologias ambientais que pode servir de inspiração. Antes da revolução islâmica de 1979, os dois países mantinham relações próximas, motivadas por desconfianças em relação aos vizinhos árabes. O Irã foi um dos primeiros países de maioria muçulmana a reconhecer Israel, e o governo iraniano via vantagens econômicas e técnicas nessa parceria.
A **cooperação em recursos naturais** entre Irã e Israel ganhou destaque com a nacionalização do Canal de Suez em 1956. A instabilidade resultante levou os dois países a unirem forças no oleoduto Eilat-Ashkelon, que visava contornar o canal no transporte de petróleo. Essa joint venture, dividida igualmente entre os governos, iniciou suas operações em 1968. O Irã também auxiliou Israel no fornecimento de petróleo durante períodos de restrição de crédito.
Atualmente, o Irã busca na justiça o pagamento de dívidas de mais de um bilhão de dólares referentes a essa época de colaboração. Em 2015, um tribunal suíço chegou a ordenar que Israel devolvesse o montante, mas o país se recusou sob alegação de disposições da “Lei de Comércio com o Inimigo” dos Estados Unidos. Essa disputa financeira é um resquício de um passado de cooperação que muitos desconhecem.
O apoio de Israel ao Irã em momentos de crise também é notável. Após o terremoto de Buin-Zahra, que causou mais de 12 mil mortes, Israel ofereceu um plano para revitalizar a região, com transferência de tecnologia e conhecimento técnico. O então Ministro da Agricultura de Israel, Moshe Dayan, enviou urbanistas e arquitetos para desenvolver um plano detalhado de reconstrução.
Mesmo após a revolução islâmica, Irã e Israel mantiveram uma cooperação pontual, principalmente no setor militar-industrial, como documentado no livro Treacherous Alliance: The Secret Dealings of Iran, Israel and the United States. Na área de tecnologias agrícolas, embora não tenha havido colaboração direta desde 1979, muitos dos sistemas de irrigação por gotejamento instalados nas décadas de 1960 e 1970 ainda estão em uso no Irã. A empresa israelense Netafim, pioneira na irrigação por gotejamento, continua sendo referência no país.
O Irã, apesar de décadas de isolamento econômico, desenvolveu tecnologias próprias e alcançou autossuficiência, impulsionado por suas instituições educacionais. Muitas dessas inovações poderiam ser compartilhadas com o mundo, caso houvesse oportunidade. Irã e Israel compartilham semelhanças culturais e ecológicas que poderiam ser a base para laços duradouros, assim como seus vizinhos árabes. A **cooperação em recursos naturais** entre os dois países é possível.
A Expo 2020 em Dubai, após os Acordos de Abraão, exibiu um pavilhão israelense com foco em tecnologias ambientais. Apesar do conflito atual, a história mostra que a paz pode surgir rapidamente. Assim como EUA e Japão se tornaram aliados após a Segunda Guerra Mundial, Irã e Israel podem encontrar um futuro melhor juntos, construindo sobre o legado de colaboração em recursos naturais.
Via Forbes Brasil