Crescimento da IA pode reforçar posição do dólar e liderança americana

Entenda como a rápida evolução da inteligência artificial pode impactar a economia e a posição dos EUA no mercado global.
26/06/2025 às 06:35 | Atualizado há 2 meses
Queda do dólar
EUA lidera a revolução da IA, desafiando as tendências históricas do câmbio. (Imagem/Reprodução: Infomoney)

Apostar contra o poderio econômico dos Estados Unidos tem sido uma estratégia arriscada, mas a expressiva queda do dólar em 2025 pode indicar uma mudança nesse cenário. Analistas de Wall Street e membros do governo americano acreditam que essa desvalorização era esperada há algum tempo, abrindo novas perspectivas para investidores e mercados globais.

Desde a crise financeira, o dólar americano valorizou-se mais de 50%, impulsionando o mercado de ações dos EUA. No entanto, a recente queda do dólar pode favorecer ações de outros países, dando-lhes a oportunidade de se destacarem. Paralelamente, a liderança dos EUA em inteligência artificial pode contrariar essa tendência, mantendo os ativos americanos em evidência.

A implementação de tarifas pelo governo Trump também pode ter marcado um novo período para o dólar. No início do mês, a moeda americana registrou uma queda de 10% em relação ao índice DXY, a maior desde 1986, após o Acordo Plaza. Apesar de uma leve recuperação, investidores ainda não compensaram as perdas desde abril, sugerindo que a tendência de venda de ativos americanos pode continuar.

Bill Sterling, estrategista da GW&K Investment Management, ressalta que o dólar ainda tem espaço para cair. Caso as tarifas persistam, o crescimento dos EUA pode ser impactado, tornando os ativos americanos menos atraentes. Embora o dólar não deva perder seu status de moeda de reserva mundial, sua dominância pode estar diminuindo.

Nos últimos anos, investidores estrangeiros financiaram o déficit dos EUA comprando ativos como ações e títulos do Tesouro. No entanto, novas medidas podem aumentar impostos sobre o capital estrangeiro, desincentivando esses investimentos. Para Sterling, essa combinação de fatores pode levar a uma maior desvalorização do dólar.

Essa correção era aguardada, especialmente considerando a paridade do poder de compra, que avalia as taxas de câmbio a longo prazo. Dados do Fundo Monetário Internacional indicam que o dólar estava 105% supervalorizado no ano anterior, um desequilíbrio que não pode durar para sempre.

A pesquisa do Bank of America revelou que muitos gestores de fundos estão apostando contra o dólar, mas ainda acreditam que a moeda está sobrevalorizada. Nos mercados cambiais, as tendências podem se autoalimentar, intensificando os movimentos de valorização ou desvalorização.

Se a queda do dólar continuar, economias e mercados de ações em todo o mundo serão impactados. Após a crise financeira, as ações dos EUA superaram outros mercados, atraindo investimentos estrangeiros. No entanto, a fraqueza do dólar pode levar investidores a buscar alternativas em outros países, impulsionando seus retornos.

As tensões comerciais lideradas por Trump incentivam países como Alemanha e China a fortalecerem sua demanda interna, o que tende a beneficiar seus mercados de ações. A reação do mercado japonês ao Acordo Plaza, que valorizou o iene, serve de exemplo, com o mercado de ações japonês se destacando na segunda metade dos anos 1980.

Alguns membros do governo Trump defendem um dólar mais fraco para aumentar a competitividade das exportações americanas, com propostas como um “Acordo Mar-a-Lago”. Enquanto isso, mercados de ações estrangeiros, como o Hang Seng de Hong Kong e o S&P Latin America 40, têm apresentado bom desempenho.

Apesar das perspectivas de desvalorização, o setor de inteligência artificial nos EUA pode sustentar o dólar. O otimismo em relação à IA pode atrair investidores e evitar uma queda acentuada da moeda americana. A liderança tecnológica dos EUA, no entanto, nem sempre garante retornos superiores em ações, especialmente com um dólar mais fraco.

Via InfoMoney

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.