Moody’s reduz nota de crédito da Colômbia devido a regras fiscais

Moody’s rebaixa a nota da Colômbia, apontando a suspensão da regra fiscal como um dos motivos.
26/06/2025 às 19:02 | Atualizado há 2 meses
Rebaixamento da nota da Colômbia
Moody's rebaixa classificação do país por gastos descontrolados e receitas em queda. (Imagem/Reprodução: Infomoney)

A agência de classificação de risco Moody’s anunciou o rebaixamento da nota da Colômbia para Baa3. A decisão foi motivada pelo aumento da dívida do país e pela controversa suspensão da regra fiscal que antes limitava o endividamento do governo. Este ajuste na avaliação de crédito reflete uma crescente preocupação com a saúde fiscal do país sul-americano.

A Moody’s diminuiu a classificação da Colômbia em um nível, passando de Baa2 para Baa3, o patamar mais baixo dentro do grau de investimento. A medida foi tomada devido à incapacidade do governo em controlar os gastos, especialmente após a receita do país ter ficado abaixo das projeções iniciais.

Em comunicado oficial, a Moody’s expressou preocupação com a decisão do governo de suspender a regra fiscal em um momento sem choques econômicos evidentes, o que impacta negativamente a percepção sobre a eficácia da política fiscal. Apesar do rebaixamento, a perspectiva para a Colômbia foi alterada de negativa para estável.

Essa mudança de perspectiva reflete a expectativa de que as instituições colombianas continuem a desempenhar um papel importante na estabilização do país e que a economia apresente crescimento, apesar dos desafios fiscais existentes. Alejandro Arreaza, economista do Barclays, comentou que o rebaixamento já era esperado e que a mudança para uma perspectiva estável ajuda a manter o grau de investimento.

Arreaza também mencionou que o prêmio de risco da Colômbia está em um nível semelhante ao de países com classificação single-B, indicando que o mercado já havia previsto essa deterioração. A situação orçamentária do país tem se complicado, com o Ministério da Fazenda elevando a previsão do déficit para 2025 de 5,1% para 7,1%, e aumentando os planos de endividamento.

Com as eleições presidenciais se aproximando, investidores mostram-se cada vez mais céticos quanto à capacidade do presidente Gustavo Petro de implementar medidas para conter os gastos. Mesmo sem poder se candidatar à reeleição, espera-se que Petro exerça influência para manter seu partido de esquerda no poder.

É importante lembrar que a Colômbia já havia perdido o grau de investimento em 2021, quando foi rebaixada pelas agências S&P Global Ratings e Fitch Ratings. Munir Jalil, economista-chefe para os Andes do BTG Pactual, afirmou que a decisão da Moody’s não deveria surpreender os mercados e que a mudança para perspectiva estável indica que novos rebaixamentos só ocorrerão após as eleições.

A decisão da Moody’s de rebaixar a nota da Colômbia, embora esperada pelo mercado, serve como um alerta sobre a necessidade de o país fortalecer sua disciplina fiscal e garantir a confiança dos investidores. O cenário político e econômico nos próximos meses será crucial para determinar se a Colômbia conseguirá manter sua estabilidade e evitar novos rebaixamentos.

Via InfoMoney

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.