Na última quinta-feira, o cenário econômico brasileiro foi marcado por eventos importantes, incluindo a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA-15) pelo IBGE e a derrubada do decreto do IOF pelo Congresso Nacional. Essas decisões impactaram diretamente o mercado financeiro, com reflexos no câmbio, na bolsa de valores e nas expectativas para os próximos anos.
O dólar apresentou recuo de 1,06%, cotado a R$ 5,4984, enquanto o Ibovespa registrou alta de 0,99%, atingindo 137.113,89 pontos. Em Nova York, os índices acionários S&P 500 e Nasdaq se aproximaram de seus máximos históricos, influenciados pela expectativa de afrouxamento da política monetária pelo Federal Reserve (Fed).
A aprovação do projeto que susta os efeitos do decreto do Executivo sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) gerou discussões sobre o impacto nas contas públicas. O governo federal buscava, por meio da alteração na cobrança do IOF em operações de câmbio, crédito e previdência privada, equilibrar o orçamento.
O economista Tiago Sbardelotto avaliou que a derrubada do decreto do IOF representa um desafio para a execução orçamentária de 2025 e 2026. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, alertou que a decisão do Congresso pode reduzir a receita de 2025 em R$ 10 bilhões e dificultar a meta de resultado primário em R$ 30 bilhões para 2026.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista à Folha de S.Paulo, declarou que o governo considera o projeto aprovado pelo Congresso inconstitucional e pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter a situação.
A divulgação dos dados do IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, também influenciou o mercado. O índice apresentou alta de 0,26% em junho, após o aumento de 0,36% no mês anterior. Economistas da Reuters estimavam uma alta de 0,30%.
Economistas do Bradesco apontaram que a desaceleração da inflação está ocorrendo de forma gradual, com a diminuição da pressão dos núcleos. A expectativa é que a atividade econômica apresente desaceleração no segundo semestre, em resposta aos juros restritivos, o que deve contribuir para a moderação da inflação em 2025 e 2026.
No cenário de ações, a Vale ON fechou em alta de 3,01%, impulsionada pelos futuros do minério de ferro na China. A Petrobras PN subiu 0,8%, em um dia marcado pelo leilão de petróleo da União. Itaú Unibanco PN recuou 0,74%, enquanto Bradesco PN, Santander Brasil Unit e Banco do Brasil ON apresentaram elevação.
Azzas 2154 ON e Vivara ON valorizaram-se 5,97% e 4,26%, respectivamente. Já a Localiza ON registrou queda de 7,28%, em meio a preocupações sobre um possível novo programa do governo federal para carros mais baratos.
Diante desse cenário, o mercado financeiro permanece atento aos próximos desdobramentos das decisões políticas e seus impactos na economia brasileira. A derrubada do decreto do IOF e a inflação são os principais pontos de atenção.
Via Forbes Brasil