Startup brasileira atinge lucro e planeja fábrica de IA

Após alcançar lucro, essa startup planeja desenvolver uma nova fábrica voltada para inteligência artificial.
28/06/2025 às 08:18 | Atualizado há 2 meses
Plataforma de IA para gestão
Startup lucra e planeja nova fábrica focada em inteligência artificial. (Imagem/Reprodução: Exame)

Em um cenário onde muitos ainda enfrentam dificuldades na gestão administrativa, Bruno Bannach decidiu agir. Tudo começou com sua mãe, proprietária de uma farmácia, que lutava com um sistema de gestão complicado e caro. O desejo de encontrar uma solução levou à criação da plataforma de IA para gestão chamada Jestor. Essa startup foi criada para simplificar a vida de gestores, permitindo que eles criem suas próprias ferramentas de administração de forma acessível.

Após cinco anos de operação, a Jestor alcançou o breakeven, um marco significativo que indica que as receitas igualaram as despesas. Agora, está prestes a abrir um novo capítulo. A proposta é permitir que indivíduos ou empresas personalizem seus sistemas com inteligência artificial, refletindo suas próprias marcas e processos. Isso se aplica tanto a consultores que buscam desenvolver softwares para venda, quanto a empresas que desejam um sistema adaptado à sua identidade visual.

A Jestor opera como uma verdadeira “fábrica de IA”, cuidando da infra-estrutura técnica, enquanto os clientes têm a liberdade de montar seus sistemas. É possível criar aplicativos para gerenciamento de contratos, painéis de estoque ou centrais de atendimento automatizadas. Ao final, o usuário pode decidir se irá utilizar o sistema internamente ou revendê-lo, transformando um serviço em um produto.

Bruno afirma que “quem entende um setor específico pode converter esse conhecimento em um negócio escalável com IA, mesmo sem ser especialista em programação.” O novo modelo, na forma de white label, já está sendo testado com um grupo de clientes e espera-se que esteja disponível para um público mais amplo em breve. A expectativa é que, em alguns anos, essa modalidade represente até 80% da receita da Jestor.

A trajetória da Jestor está enraizada na vontade de disponibilizar uma solução que se adapte facilmente a diferentes realidades. Bruno, com experiência em bancos e consultorias, encontrou uma dolorosa realidade ao tentar ajudar sua mãe com um sistema que custava R$400 mensais, mas não atendia suas necessidades. Ele percebeu que a mesma dificuldade era compartilhada por muitos pequenos empreendedores, e isso se tornou uma oportunidade.

Atualmente, a Jestor oferece a seus usuários a possibilidade de desenvolver sistemas próprios, com automações e dashboards personalizados. O novo modelo permite que consultores utilizem a infraestrutura da Jestor para criar soluções com sua própria marca. Com a observação de que muitos clientes tinham múltiplas contas, ficou claro para a equipe que a necessidade do mercado estava convergindo para soluções personalizadas e que poderiam ser escaladas.

O modelo de negócios passa a ser por uso, permitindo que os criadores definam seus próprios preços. Isso representa uma mudança significativa em relação à estrutura tradicional de cobrança por usuário.

A Jestor mira também uma tendência de personalização radical no mercado de gestão, onde softwares de gestão precisam se adaptar às necessidades específicas dos usuários. “O SaaS tradicional está sendo desafiado”, afirma Bruno. Ao buscar ser a plataforma por trás de diversos sistemas, a empresa quer promover uma rede de micro-SaaS, facilitando a implementação com onboarding assistido e assistentes de IA.

Apesar dos desafios que surgem nesse processo de simplificação e escalabilidade, a Jestor segue firme na busca pela viabilidade financeira. Com um novo modelo de revenue share em discussão, a empresa trabalha para que implementadores não sejam surpreendidos com picos de uso.

A concorrência é vasta e vai do tradicional papel e caneta até grandes nomes do mercado, como a Salesforce. Contudo, a Jestor busca se destacar ao unir simplicidade e eficácia, oferecendo soluções que façam a gestão empresarial mais acessível. “Hoje, até minha mãe já utiliza aplicativos de IA”, reflete Bruno, reforçando a crescente aceitação da tecnologia por parte do público.

Fundada no final de 2019, a Jestor recebeu investimentos significativos de organizações renomadas como Y Combinator e Canary. Agora, com as contas equilibradas, a empresa está pronta para transformar especialistas em criadores de software, expandindo ainda mais o alcance da inteligência artificial nas empresas.

Via Exame

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.