Renda fixa em alta: Selic a 15% e aumento nos prefixados

Saiba como a Selic a 15% impacta os investimentos em renda fixa. Descubra se é o momento ideal para garantir seu rendimento.
28/06/2025 às 13:02 | Atualizado há 2 meses
Títulos prefixados
Juros altos em 2023: o momento é de cautela e novas oportunidades no mercado financeiro. (Imagem/Reprodução: Moneytimes)

Com a taxa **Selic** em um patamar elevado e a projeção de que o Banco Central manterá os juros altos por um período considerável, os investidores têm demonstrado crescente interesse por títulos prefixados. A estratégia é fixar uma taxa de retorno atrativa agora e, no futuro, beneficiar-se da valorização desses títulos, caso ocorra uma queda nas taxas de juros. Essa valorização é impulsionada, principalmente, pela marcação a mercado.

No cenário de renda fixa no Brasil, Viviane Las Casas, diretora de renda fixa da Valor Investimentos, destaca que os investidores são bem remunerados mesmo ao adotarem uma postura conservadora. Segundo ela, os títulos pós-fixados, atrelados ao CDI ou à Selic, oferecem uma rentabilidade interessante para quem busca menor risco, além de contribuírem para a estabilidade da carteira. Contudo, os títulos prefixados apresentam a possibilidade de ganhos adicionais para aqueles dispostos a assumir um risco maior.

Las Casas observa que, com a recente diminuição da curva de juros, os investidores que adquiriram esses papéis há alguns meses já estão colhendo os resultados. Em fevereiro, um título prefixado com vencimento em 2032, por exemplo, era negociado a aproximadamente 15% ao ano. Atualmente, o mesmo título oferece um retorno inferior a 14%, evidenciando uma valorização relevante para quem investiu anteriormente em títulos prefixados.

A chamada marcação a mercado explica essa dinâmica, influenciando o preço dos papéis antes do vencimento, conforme as expectativas dos investidores em relação à trajetória da Selic. Na prática, quando a expectativa para a taxa de juros diminui, os títulos prefixados tendem a se valorizar. Em contrapartida, quando a expectativa aumenta, eles perdem valor. Dessa forma, investidores que adquirem títulos prefixados em momentos de juros mais altos podem obter lucro mesmo antes do vencimento, caso o cenário se reverta.

Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, também enfatiza a importância da diversificação, embora veja razões para investir em títulos prefixados no cenário atual. Lima demonstra preferência por papéis de vencimentos mais curtos, entre 2028 e 2029. Ele explica que, caso não ocorram cortes nos juros, existe o risco de perdas devido a uma possível reabertura da curva. Portanto, quanto maior o duration, maior o impacto da oscilação.

O gestor ressalta que os juros futuros exercem maior influência na precificação desses ativos do que a Selic atual, uma vez que o mercado antecipa os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom). Lima defende a combinação de títulos prefixados com outros instrumentos, como os indexados ao IPCA, que oferecem proteção contra o aumento da inflação. Ele também destaca a relevância dos títulos pós-fixados, sugerindo a manutenção de 20% a 25% da carteira nesses papéis, que tendem a oferecer retornos atrativos em cenários de frustração fiscal, acompanhando a Selic elevada.

Carolina Bohnert, especialista em investimentos e sócia da The Hill Capital, também considera o momento atual favorável para os títulos prefixados, tanto públicos quanto privados. Bohnert aponta que esses títulos oferecem uma rentabilidade conhecida desde o início, proporcionando previsibilidade, o que é atrativo para os investidores. No entanto, ela alerta para alguns pontos de atenção, como o risco de inflação persistente, o crédito do emissor (especialmente no caso de empresas) e a possibilidade de novas altas nos juros, que podem pressionar o valor de mercado dos papéis.

Apesar do interesse pelos títulos prefixados, há um consenso entre os especialistas de que o momento é propício para todas as estratégias dentro da renda fixa. A combinação dos instrumentos deve ser feita de acordo com o perfil e os objetivos de cada investidor, seja mantendo-os até o vencimento ou aproveitando as oportunidades da marcação a mercado.

Via Money Times

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.