A recente escalada do conflito entre Irã e Israel em junho teve um impacto significativo nos preços globais de fertilizantes e gerou apreensões no setor agrícola internacional. O confronto, que durou 12 dias e se espalhou para outras nações como os Estados Unidos, resultou em uma perturbação no fornecimento de insumos essenciais para a agricultura em países, incluindo o Brasil. Apesar de um acordo de cessar-fogo que começou a ser discutido em 24 de junho, autoridades iranianas expressaram dúvidas sobre a vontade de Israel em cumprir o tratado.
Com o cenário político e militar ainda tenso, novos bloqueios logísticos se tornam uma preocupação plausível, especialmente no Estreito de Hormuz, uma rota vital para a exportação de petróleo e fertilizantes. Essa situação mantém os mercados sob constante vigilância.
Entre os efeitos diretos do conflito, podemos destacar o aumento nos preços de fertilizantes nitrogenados, como ureia e amônia. O Irã, sendo um dos principais produtores globais desses insumos, teve sua produção severamente afetada, provocando um desequilíbrio na oferta internacional. Isso resultou em um aumento superior a U$ 100 por tonelada nos preços da ureia, segundo o especialista em agronegócio Alessandro Delara. O incremento nos custos impacta o custo de produção agrícola no Brasil, especialmente para cultivos como o milho.
O Egito, que também se destaca como um importante fornecedor de fertilizantes, não ficou isento da crise. A interrupção do fornecimento de gás natural de Israel, essencial para a produção de fertilizantes nitrogenados, levou à suspensão das operações egípcias. Além disso, fornecedores da região do Golfo Pérsico estão, por precaução, retirando suas tabelas de preços por medo de futuras interrupções no Estreito de Hormuz, aumentando assim os custos para os agricultores brasileiros.
Frente a esse cenário desafiador, os profissionais do agronegócio estão se voltando para alternativas que possibilitem mitigar esses riscos financeiros. Uma dessas alternativas são os Derivativos agrícolas, que ajudam produtores e investidores a gerenciar os preços de commodities como milho e soja. Esses instrumentos permitem que as partes travem valores de compra ou venda para datas futuras, protegendo-se contra a volatilidade do mercado. Por exemplo, ao garantir um preço de venda para o milho, o agricultor se prepara melhor mesmo com a elevação nos custos.
Os derivativos são muito utilizados pela flexibilidade que oferecem aos investidores, permitindo especulação sobre a alta ou queda dos preços, conforme mencionado por Delara. Com o uso eficaz dessas ferramentas financeiras, o setor agrícola pode operar de maneira mais estável, mesmo em tempos turbulentos.
Para aqueles que desejam se aprofundar na gestão de riscos e na utilização de Derivativos agrícolas, a Saint Paul Escola de Negócios, em parceria com a B3 Educação, disponibiliza um curso de formação voltado para o mercado de derivativos agrícolas. Este programa, ministrado por Alessandro Delara, oferece uma variedade de recursos, desde fundamentos até estratégias complexas.
Os participantes terão a oportunidade de aprender a navegar em um mercado volátil, gerenciando os riscos de maneira mais eficaz. As aulas, que totalizam 15 horas de conteúdo online e ao vivo, têm início em 17 de julho e concedem certificado após a conclusão. A educação continuada é essencial para aqueles que pretendem trabalhar de forma mais assertiva nestes tempos incertos.
Via Exame