No cenário dinâmico do mercado de ações em 2025, as Ações da C&A apresentaram um crescimento notável de 178%. Esse desempenho se destaca em um período marcado pelo aumento das taxas de juros, que geralmente impactam negativamente tanto as empresas de varejo quanto o mercado acionário. Para efeito de comparação, o Ibovespa, principal índice da B3, registrou um aumento de apenas 15%.
Outras varejistas de moda no Brasil também experimentaram um período positivo, com a Azzas, dona da Hering, registrando alta de 41%, a Guararapes (Riachuelo) com 53%, e a Renner com 63%. Grande parte desse crescimento está ligada ao nível de preços das empresas, que se tornaram mais acessíveis após a concorrência com o mercado asiático e o receio da elevação das taxas de juros.
O notável crescimento das Ações da C&A no Brasil contrasta com a situação da empresa em outros mercados globais. Na Europa, onde está localizada a sede da companhia, a varejista de moda está passando por um período de retração. Nos últimos três anos, a C&A tem fechado lojas na Alemanha, que é seu principal mercado europeu, e reduziu cerca de dois terços de sua força de trabalho na Áustria.
Para alcançar esses resultados, a C&A implementou um intenso trabalho interno, que envolveu ajustes financeiros e investimentos em tecnologia e eficiência nas lojas. Essa estratégia resultou em um aumento expressivo nas vendas, ganho de participação no mercado e uma posição de destaque na liderança da estratégia omnichannel, que busca integrar os canais físicos e digitais da empresa.
Após vários trimestres de resultados negativos, a C&A demonstrou um retorno ao lucro em 2024, com um resultado positivo de R$ 452 milhões. No primeiro trimestre deste ano, o lucro apresentou uma queda de 94,3%, atingindo R$ 4,1 milhões. No entanto, o balanço apresentou melhorias operacionais significativas e uma redução no nível de endividamento, o que contribui para o otimismo do mercado em relação à companhia.
O indicador de “vendas mesmas lojas”, que avalia o desempenho do faturamento nas unidades já existentes, apresentou um crescimento de 15%, superando seus concorrentes diretos, como Renner (13%) e Riachuelo (12%).
A taxação de peças importadas, implementada pelo governo federal em 2024, também beneficiou a C&A. Segundo Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, a C&A foi a mais beneficiada pela taxação, por concorrer em igualdade com as empresas chinesas na venda de itens mais básicos.
Para atender à crescente demanda, a companhia adotou uma nova estratégia operacional, que incluiu o uso massivo de dados para definir preços e produtos, além da implementação do “varejo puxado em vez de empurrado”.
A C&A encerrou o acordo com o Bradesco e a Bradescard, que estava em vigor desde 2009 e tinha como objetivo oferecer produtos e serviços financeiros aos clientes da varejista. Em junho, a rede vendeu os direitos associados à carteira de cartões de crédito da bandeira Bradescard para o Bradesco por R$ 170 milhões.
A C&A liquidou os R$ 650,6 milhões que devia ao banco em troca da recompra dos direitos exclusivos de oferta e controle de dados dos clientes. Entre as iniciativas planejadas estão a precificação dinâmica na carteira de clientes e testes para identificar quanto e quando cada cliente estaria disposto a pagar pelos produtos.
A operação de crédito, com a C&A Pay, sem a intermediação de uma instituição financeira, é vista como um catalisador para a fidelização de clientes e o aumento da recorrência.
Analistas consideram acertada a decisão da C&A de oferecer o cartão Private Label, de uso exclusivo nas lojas da varejista, em vez dos cartões “mar abertos”, como fizeram seus concorrentes Riachuelo, Renner e Marisa. Essa estratégia permite que a C&A controle melhor o risco, com base no histórico de comportamento dos clientes, reduzindo a inadimplência.
De janeiro a março, o resultado operacional da C&A Pay foi de R$ 19,4 milhões, um aumento de 10,5% em relação ao ano anterior, o que impulsionou o negócio como um todo. A alavancagem total, que é a relação entre a dívida líquida da companhia e o EBITDA, foi reduzida de 1,5x para 0,5x, fortalecendo a estrutura de capital da empresa.
Em novembro de 2024, a família Brenninkmeijer, controladora da rede de varejo C&A, vendeu 40 milhões de ações, o equivalente a 13% do capital da companhia, arrecadando R$ 460,8 mil. A holding Cofra, que reúne os negócios dos fundadores, justificou a operação como uma forma de aumentar a liquidez das ações e desbloquear valor para os acionistas.
Fundada em 1841, na Holanda, a C&A foi criada pelos irmãos Clemens e August Brenninkmeijer, que começaram vendendo tecidos para trabalhadores rurais e, posteriormente, passaram a confeccionar roupas prontas a preços acessíveis.
Via InvestNews