Economistas apontam riscos cambiais para o IPCA após tarifas de Trump

Economistas alertam sobre o impacto das tarifas de Trump no IPCA. Entenda como isso pode afetar a economia brasileira.
10/07/2025 às 11:42 | Atualizado há 2 meses
Impacto cambial no IPCA
Câmbio depreciado pode agravar a inflação nos preços industriais de bens comercializáveis. (Imagem/Reprodução: Infomoney)

Economistas examinaram o **impacto cambial no IPCA** de junho, divulgado pelo IBGE, sob duas perspectivas. A primeira considera a desaceleração contínua do índice de preços, que passou de 0,26% em maio para 0,24% em junho. A segunda visão, mais pessimista, alerta para os riscos das tarifas dos EUA e seu potencial reflexo nos preços via câmbio.

Luís Otávio Leal, da G5 Partners, aponta que o IPCA de junho confirma que o pior da inflação pode ter ficado para trás, embora a desaceleração possa não ser constante. Ele ressalta que a manutenção das taxas de juros em 15,00% a.a. até 2025 se justifica, visto que tanto o índice geral quanto os serviços subjacentes continuam a acelerar.

A imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada por Donald Trump, pode reforçar essa cautela. Segundo Leal, os bens industriais, que seriam diretamente afetados pela desvalorização cambial decorrente das tarifas, já mostram sinais de mudança, com um recuo de 0,06% para 0,04% na leitura mensal.

Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG, concorda que o momento é positivo para a inflação a curto prazo, mas alerta para os desafios de médio prazo, como expectativas elevadas e um mercado de trabalho aquecido. A decisão dos EUA de taxar importações brasileiras agrava o cenário.

Serrano destaca que a taxa de câmbio, que antes operava próxima de R$ 5,45, agora se aproxima de R$ 5,60, com um câmbio desvalorizado impactando bens comercializáveis e retardando a desinflação.

Gustavo Sung, da Suno Research, também vê a elevação das tarifas como um fator de incerteza, pressionando a taxa de câmbio real-dólar. A resposta do governo brasileiro, que pode incluir retaliação com tarifas sobre importações dos EUA, é crucial. Caso isso ocorra, o aumento dos custos de produção para empresas brasileiras pode pressionar ainda mais a inflação.

Sung adverte que uma possível retaliação dos EUA pode agravar a situação, tornando o processo de negociação mais complexo devido ao tom político adotado por Trump.

A XP Investimentos avalia que o IPCA de junho trouxe um alívio nos preços de mercado, conforme previsto pelo IPCA-15. No entanto, os impactos diretos e a dinâmica do real em um possível conflito comercial entre Brasil e EUA serão determinantes para a inflação nos próximos trimestres.

Diante desse cenário, as análises dos economistas convergem para a necessidade de monitoramento constante dos fatores que influenciam o **impacto cambial no IPCA**, especialmente em um contexto de tensões comerciais e volatilidade no mercado de câmbio.

Via InfoMoney

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.