ElaProtegida: Referência no Apoio a Mulheres em Situação de Violência

Conheça a ElaProtegida, a plataforma digital que auxilia mulheres em situação de violência de maneira inovadora e eficaz.
28/08/2025 às 16:02 | Atualizado há 12 horas
Apoio a mulheres
Estudantes da UFRJ se mobilizam contra a violência doméstica durante a pandemia. (Imagem/Reprodução: Startupi)

A iniciativa ElaProtegida nasceu durante a pandemia para combater a violência doméstica. Desenvolvida por estudantes da UFRJ e UNIRIO, ela permite que mulheres solicitem medidas protetivas sem sair de casa.

O fundador Rafael Wanderley salientou a importância da tecnologia na luta contra a subnotificação. Muitas mulheres temem buscar ajuda devido à burocracia, e a plataforma surge como uma alternativa acessível e necessária.

Além de facilitar denúncias, a ElaProtegida organiza o fluxo de atendimento e oferece suporte em tempo real. Seu uso já se expande por mais de 15 municípios, promovendo uma gestão pública mais eficiente no enfrentamento da violência.
A iniciativa **ElaProtegida**, nascida da urgência em combater a violência doméstica durante a pandemia, transformou-se em referência no apoio a mulheres. Desenvolvida por estudantes da UFRJ e UNIRIO, a plataforma digital Maria da Penha Virtual permitiu solicitações de medidas protetivas sem sair de casa. O projeto antecipou a digitalização da lei, que desde 2006 previa essa modernização.

Rafael Wanderley, fundador do projeto, explica que a motivação veio da necessidade de combater a subnotificação. Muitas mulheres, por medo ou burocracia, não procuravam a polícia. A tecnologia surgiu como ferramenta essencial para garantir direitos e facilitar o acesso à justiça.

A experiência, realizada em parceria com a Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, o TJRJ e o TJPB, criou a startup Direito Ágil. Com o apoio a mulheres do programa BNDES Garagem, o projeto evoluiu para a plataforma ElaProtegida. O foco era suprir a falta de eficiência na gestão pública, onde os registros eram feitos em papel, planilhas e e-mails.

A plataforma oferece recursos de denúncia, inclusive para testemunhas, e acompanhamento em tempo real dos casos. Inclui chat de orientação, acessibilidade para pessoas com deficiência visual e integração com serviços municipais por geolocalização. O sistema também realiza o cálculo automatizado de risco e oferece ferramentas de análise para gestores.

Além da denúncia, a plataforma organiza o fluxo de atendimento, com agendamento de eventos, relatórios para equipes técnicas e integração com órgãos públicos. O diferencial é garantir eficiência administrativa e facilitar o acesso ao serviço para as vítimas de violência.

O projeto atraiu investimentos estratégicos que confirmaram seu potencial no apoio a mulheres. A Shell investiu após selecionar a startup em um programa internacional de aceleração. A Prefeitura de Niterói também contribuiu por meio do Acelera Niterói, acelerando o desenvolvimento do software. A empresa foi finalista de programas como IdeiaGov e Citztech, além de receber apoio do Sebrae Nacional.

Entre os reconhecimentos, destacam-se o Prêmio do Conselho Nacional de Justiça Viviane Vieira do Amaral e menção honrosa no Prêmio Innovare. Empresas como Mary Kay passaram a apoiar iniciativas relacionadas, como o Guia ElaProtegida, disponível online em linguagem simples para informar mulheres sobre seus direitos.

A metodologia de desenvolvimento da plataforma incluiu entrevistas com vítimas, gestoras públicas, secretárias municipais e profissionais de centros de atendimento. Essa escuta orientou os ajustes na plataforma para garantir que ela atendesse às necessidades reais das mulheres.

A empresa busca ampliar a participação feminina na tomada de decisão, inclusive com a entrada de uma investidora estratégica que contribua com capital e experiência. O objetivo é fortalecer o apoio a mulheres em todas as etapas do projeto.

Implementado pela primeira vez em Maricá, em setembro de 2024, o sistema já opera em mais de 15 municípios de diferentes regiões. O crescimento ocorre em um cenário onde a maioria dos municípios não possui delegacia da mulher, reforçando a necessidade de alternativas digitais.

A plataforma Orkeia, desenvolvida pela startup, é mais um recurso para ajudar no combate à violência feminina. A tecnologia coordena agentes de inteligência artificial especializados e oferece suporte por meio de uma assistente virtual, ampliando o alcance social do projeto.

O sistema também utiliza inteligência artificial para cálculo de risco de vida, orientando as técnicas responsáveis pela triagem sobre a prioridade dos casos. Essa automação busca reduzir a sobrecarga das equipes municipais e permitir maior agilidade nos encaminhamentos.

Via Startupi

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.