A Green Mining, startup de logística reversa, lançou o primeiro projeto de crédito de carbono para reciclagem no Brasil, movimentando cerca de R$ 2,8 bilhões anuais. A iniciativa visa desviar 26 mil toneladas de resíduos de aterros, promovendo a economia circular em um país onde menos de 8% dos resíduos são reciclados.
O projeto, que começará a comercializar créditos ambientais em seis meses, promete beneficiar catadores ao aumentar seus rendimentos em até 500%. A startup opera nove estações em diversos estados, com foco inicial em São Paulo, buscando melhorar a inclusão dos trabalhadores informais no setor.
Com a previsão de reduzir 268 mil toneladas de CO2 nos próximos 20 anos, a iniciativa é uma resposta às baixas taxas de aproveitamento de resíduos no Brasil. Parcerias com empresas e órgãos governamentais fortalecem esta nova Cadeia Produtiva da Reciclagem.
A Green Mining, startup focada em logística reversa, lançou o primeiro projeto brasileiro de crédito de carbono reciclagem. A iniciativa prevê movimentar cerca de R$ 2,8 bilhões por ano, desviando 26 mil toneladas de resíduos de aterros sanitários e lixões. O projeto deve iniciar a comercialização dos créditos ambientais em até seis meses, com certificação da Gold Standard.
O foco da ação é inserir a economia circular na pauta da crise climática, especialmente no Brasil, onde apenas menos de 8% dos resíduos sólidos urbanos são reciclados. Segundo Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining, os recursos captados serão aplicados na reestruturação da cadeia de reciclagem, beneficiando diretamente os catadores e agentes ambientais.
Esse sistema evita intermediários, possibilitando que o pagamento pelos recicláveis seja feito via Pix diretamente às mãos dos catadores, aumentando seus rendimentos entre 400% e 500%, passando de aproximadamente R$ 250 para até R$ 2,5 mil por mês.
A startup opera nove estações em São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Tocantins, comparáveis a contêineres de depósito de resíduos que negociam materiais recicláveis como plástico, papel, vidro e metal. O piloto concentra-se inicialmente em cinco unidades na capital de São Paulo e região metropolitana.
A previsão é que, nos próximos 20 anos, o projeto contribua para a redução de 268 mil toneladas de CO2 equivalente na atmosfera. Além dos benefícios ambientais, a iniciativa destaca o impacto social de promover a inclusão produtiva de trabalhadores informais frequentemente marginalizados e baixa remuneração.
O mercado brasileiro de carbono foi regulamentado no final de 2024, com projeção de implementação nos próximos quatro a cinco anos. Apesar de o país gerar cerca de 26 milhões de toneladas de resíduos recicláveis anualmente, apenas 5% a 7% desse volume é aproveitado atualmente.
Se o aproveitamento fosse completo, a emissão de crédito de carbono reciclagem poderia alcançar 144 milhões por ano. O setor de reciclagem corresponde a metade das emissões globais, o que realça a importância do projeto para a mitigação ambiental e para a redução da extração predatória de recursos naturais.
A Green Mining trabalha em parceria com o Banco do Brasil, Kipos Soluções Ambientais, Grupo Boticário, EDP, Ibema, Indorama Ventures, Nude, Parque Global, Tesouro Nacional e B3, fortalecendo a cadeia produtiva da reciclagem e o mercado de créditos ambientais no país.
Há iniciativas semelhantes em andamento em países como Romênia, Quênia e China, mostrando um movimento global crescente em torno do reconhecimento da reciclagem como mecanismo gerador de créditos de carbono e instrumento de justiça climática.
Via Exame