A Motiva está desenvolvendo cinco mil planos para adaptação climática de suas infraestruturas, como rodovias e aeroportos. O objetivo é mapear riscos e mitigar impactos financeiros devido às mudanças climáticas. A análise considera possíveis aumentos de temperatura e eventos climáticos severos até 2050.
Entre os riscos identificados, as tempestades se destacam como a maior ameaça para todas as áreas sob a gestão da Motiva. A empresa irá priorizar ações em locais críticos e implementar medidas preventivas, como o reforço da drenagem e monitoramento de ativos em condições climáticas extremas.
Com foco em reduzir emissões e garantir a segurança das operações, os planos de adaptação serão incorporados ao orçamento a partir de 2027. A Motiva também colabora com entidades de monitoramento de desastres para minimizar riscos e impactos das mudanças climáticas.
A Motiva, empresa de mobilidade urbana e infraestrutura urbana, está elaborando cerca de cinco mil planos visando a Adaptação climática infraestrutura de seus ativos, incluindo rodovias, trilhos e aeroportos. Desde 2023, a companhia mapeia os riscos inerentes às mudanças do clima, considerando os impactos financeiros na operação e nos investimentos para mitigá-los.
A análise da Motiva baseou-se em cenários do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), projetando um aumento entre 3 °C e 7 °C até 2050. Os principais riscos considerados envolvem ondas de calor, secas, incêndios florestais, ventos fortes, inundações e tempestades. Com mais de 4 mil quilômetros de rodovias, 120 estações de trens, metrôs e VLT, e 17 terminais aeroportuários sob sua gestão, a empresa identificou as áreas mais críticas para concentrar as ações.
Entre as descobertas, as tempestades foram apontadas como a principal ameaça para todos os segmentos da Motiva. Nas rodovias, também merecem destaque as inundações fluviais e os deslizamentos. Já nos aeroportos e nos trilhos, as ondas de calor ganham relevância devido ao potencial de danos físicos às estruturas.
A avaliação financeira revela que o custo da não intervenção pode ser até cinco vezes maior do que aquele necessário para realizar a adaptação da infraestrutura. Isso inclui prejuízos causados por danos, interrupções operacionais e atrasos em obras. Como explica a diretora de sustentabilidade da empresa, Juliana Silva, o reconhecimento desses custos permite priorizar os investimentos de forma assertiva.
Os planos de adaptação climática da Motiva se dividem em 4.020 para rodovias, 657 para o segmento de trens, metrôs e VLT e 182 para aeroportos. Essas ações englobam medidas preventivas, mitigatórias e protocolos de resposta a emergências. Entre as iniciativas práticas, destaca-se a aplicação de tinta branca nos trilhos para reduzir a dilatação térmica e o risco de descarrilamento, protegendo os trechos mais expostos ao sol.
Outras soluções adotadas incluem reforço no sistema de drenagem para combater inundações, monitoramento rigoroso da integridade dos ativos em situações de calor extremo, ajustes nas estruturas aeroportuárias para resistir a chuvas intensas, manutenção mais frequente das redes de drenagem e implementação de áreas verdes nos terminais.
A Motiva estruturou sua estratégia em duas frentes complementares. A primeira foca no mapeamento detalhado dos riscos e na quantificação dos custos financeiros, alinhada às recomendações da Task Force on Climate Related Financial Disclosures (TCFD). Isso garante uma abordagem operacional que prioriza a segurança patrimonial e o monitoramento contínuo. A segunda baseia-se no uso de dados meteorológicos de curto e médio prazo para apoiar decisões operacionais, utilização da startup MeteoIA para projeções de mercado e parceria com a Climatempo para acompanhamento diário das condições climáticas.
A empresa inaugurou em 2025 um centro de controle em Jundiaí que recebe dados em tempo real, facilitando a reação rápida a eventos climáticos adversos. Esses dados são compartilhados com os Centros de Controle Operacional (CCO), que dispõem de painéis de monitoramento para ajustar protocolos conforme a gravidade das situações, protegendo clientes e colaboradores.
Exemplos reais dos desafios enfrentados são as enchentes no estado do Rio Grande do Sul, onde a rodovia ViaSul teve trechos afetados. Para melhorar a gestão de situações de risco, a Motiva mantém colaboração técnica com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), trocando informações sobre alertas de deslizamentos e inundações.
A agenda de adaptação faz parte da estratégia ambiental da Motiva, que também mira na mitigação. A companhia busca reduzir suas emissões de escopo 1 e 2 em 59% até 2033, enquanto projeta corte de 27% nas emissões do escopo 3, com neutralidade de carbono até 2035. A eletrificação da frota, expansão do biocombustível e o uso integral de energia renovável estão entre os compromissos assumidos. A Motiva também integra a Task Force on Nature-related Financial Disclosures (TNFD) para avaliação de riscos à biodiversidade.
Os próximos passos envolvem a definição e priorização das ações previstas nos planos de adaptação climática, com a expectativa de concluir essa fase até o primeiro trimestre de 2026. A implantação das medidas deve fazer parte dos orçamentos a partir de 2027. O projeto também prepara a empresa para cumprir as normas IFRS S2, que exigem divulgação dos riscos climáticos aos investidores. Enquanto a apresentação do relatório segue voluntária até 2026, a obrigatoriedade será para empresas listadas em 2027.
Via Exame