Banco do Brasil endurece regras de crédito para produtores rurais

Banco do Brasil pode banir crédito a produtores em recuperação judicial. Entenda as novas regras e impactos no agronegócio.
28/10/2025 às 09:41 | Atualizado há 5 meses
               
Crédito a produtor rural
Banco impõe novas garantias e limita acesso ao crédito para produtores em recuperação judicial. (Imagem/Reprodução: Infomoney)

O Banco do Brasil (BB) anunciou mudanças significativas nas condições para a concessão de crédito a produtores rurais, visando evitar calotes. A nova medida inclui a suspensão de empréstimos para aqueles que pedirem recuperação judicial. Essa decisão é uma resposta ao aumento na inadimplência do setor, que totaliza R$ 5,4 bilhões em dívidas não pagas.

Felipe Prince, diretor de riscos do BB, comentou que os produtores em recuperação judicial não acessarão novos créditos. Ele destacou que essa situação pode dificultar o plantio das próximas safras, levando a um quadro ainda mais desafiador para o agronegócio. Além disso, o banco está adotando uma postura mais cautelosa na análise de dívidas, exigindo garantias mais sólidas.

Outra mudança importante é que o prazo para o banco entrar em contato após um atraso de pagamento foi reduzido de 30 para 5 dias. O Banco do Brasil busca equilibrar o auxílio ao setor agrícola com a necessidade de proteger-se em um cenário de crescente inadimplência. Essas novas regras refletem uma transformação no setor, que agora também conta com a concorrência de novos financiadores.
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O Banco do Brasil (BBAS3), o maior financiador do agronegócio no país, endureceu as condições para a concessão de crédito a produtor rural. A medida visa mitigar os riscos de calotes em um cenário de crescente inadimplência no setor. A instituição financeira estuda suspender novos empréstimos para produtores que entrarem com pedido de recuperação judicial.

Felipe Prince, diretor de riscos do banco, declarou que produtores em recuperação judicial “não terão crédito hoje, amanhã nem nunca mais”. Segundo ele, a recuperação judicial pode ser uma armadilha, pois dificulta o acesso a novos créditos e impede o plantio da próxima safra.

Além da restrição para quem busca recuperação judicial, o Banco do Brasil está adotando uma postura mais cautelosa na análise e negociação de dívidas. O banco está exigindo garantias mais sólidas e prazos de pagamento mais curtos. Essa mudança ocorre após uma decisão judicial que permitiu a produtores individuais pedirem proteção contra credores.

De acordo com dados do próprio banco, R$ 5,4 bilhões em empréstimos não estão sendo pagos, devido a pedidos de recuperação judicial de 808 produtores rurais. Este montante representa uma parcela significativa da carteira de crédito para o setor agropecuário, que totalizava R$ 404,9 bilhões em junho, dentro de um universo de 1 milhão de clientes.

Prince, com mais de 25 anos de experiência no Banco do Brasil, ressalta que o agronegócio está passando por uma transformação profunda. Um indicativo dessa mudança é que 75% dos produtores inadimplentes estão nessa situação pela primeira vez. A taxa de inadimplência da carteira rural subiu 2,2 pontos percentuais em um ano, atingindo 3,5% em junho.

O aumento das provisões para perdas com crédito impactou o retorno sobre o patrimônio líquido do banco, que caiu de 21,6% para 8,4% no mesmo período. Essa diminuição no lucro do Banco do Brasil reflete os desafios enfrentados tanto por produtores quanto por instituições financeiras no setor agrícola.

Analistas do Itaú BBA e do Citigroup preveem que o Banco do Brasil terá o pior desempenho entre os grandes bancos do país no primeiro semestre, com o terceiro trimestre sendo o mais desafiador do ano. A expectativa é que um programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo tenha um impacto limitado, já que começou a ser oferecido pelo banco no fim de outubro.

Historicamente, produtores rurais priorizavam o pagamento ao Banco do Brasil, que detém cerca de 60% do crédito a produtor rural no país, em parte com juros subsidiados. A instituição era vista como um parceiro de longo prazo, flexível em negociações e prorrogações de vencimentos.

O fortalecimento do agronegócio atraiu novos financiadores, como os Fiagros, que investem em títulos lastreados em recebíveis do campo. No entanto, essa maior oferta de crédito levou a um superendividamento do segmento. A queda nos preços das commodities, a alta dos juros e os desastres climáticos agravaram a situação, elevando os calotes e levando os Fiagros a cobrarem antecipação dos pagamentos.

Diante dessa nova realidade, o Banco do Brasil busca se adaptar, exigindo garantias adicionais para proteger as terras dadas como garantia em processos de recuperação judicial. A instituição substituiu as hipotecas pela alienação fiduciária, modalidade em que o credor mantém a propriedade do bem até o pagamento integral da dívida. Essa mudança, embora aumente a segurança para o banco, pode encarecer o crédito a produtor rural.

O banco também reduziu o prazo para contato com o produtor após atraso de pagamento, de 30 para 5 dias, e encurtou o período antes de recorrer à Justiça, de 90 a 180 dias para 30 dias. Além disso, a instituição utiliza inteligência artificial para classificar clientes e otimizar a gestão de crédito a produtor rural.

Embora as iniciativas de renegociação para evitar calotes tenham aumentado, o Banco do Brasil mantém a restrição para produtores em recuperação judicial. A instituição busca equilibrar o apoio ao setor com a necessidade de mitigar os riscos financeiros em um cenário de crescente inadimplência.

Via InfoMoney

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Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.