A polêmica entre Ben & Jerry’s e Unilever reacende discussões sobre liberdade de expressão e valores de marca. O cofundador Ben Cohen acusa a Unilever de censura ao vetar um sabor de sorvete em apoio à Palestina. A história evidencia a tensão entre a identidade ativista da marca e o controle corporativo.
Cohen, que já declarou seu descontentamento com a influência da Unilever, lançou uma campanha pedindo que a empresa venda a Ben & Jerry’s a investidores sociais. O foco está em manter viva a missão da marca de integrar valores sociais ao negócio, algo que ele acredita ter sido comprometido pela gigante alimentar.
Historicamente, a Ben & Jerry’s tem se posicionado em favor de causas sociais, e este incidente pode impactar seu futuro no mercado. A relação entre a marca e Unilever continua a ser tema de debate sobre o limite da autonomia de marcas adquiridas em relação a seus valores fundamentais.
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A relação entre Ben & Jerry’s e Unilever, desde a aquisição da marca de sorvetes em 2000, tem sido marcada por tensões em torno de valores e liberdade de expressão. O cofundador Ben Cohen acusou a Unilever de “ataque corporativo à liberdade de expressão” após o cancelamento de um sabor que visava apoiar a paz em Gaza. Este episódio reacende o debate sobre o ativismo da marca e sua autonomia dentro da gigante Unilever.
Jerry Greenfield, o outro cofundador da Ben & Jerry’s, já havia deixado a empresa, alegando que a Unilever estaria sufocando a capacidade da marca de se posicionar sobre questões sociais. Cohen agora afirma que a Magnum, divisão de sorvetes da Unilever, vetou o novo sabor pró-Palestina, mesmo após a aprovação do conselho independente da Ben & Jerry’s. Em resposta, Cohen lançou uma campanha para que a Unilever venda a marca a investidores com mentalidade social, além de convidar o público a criar a receita do sabor que foi censurado.
Ben Cohen utilizou o Instagram para divulgar a iniciativa, pedindo ideias de ingredientes, sugestões de nomes e designs para a embalagem do sorvete. “Devemos continuar usando nossa voz quando a Ben & Jerry’s não pode — para garantir paz, justiça e dignidade na Palestina”, defendeu Cohen. Essa ação evidencia o conflito entre os valores da Ben & Jerry’s e as decisões da Unilever, levantando questões sobre o futuro da marca e sua identidade.
A Ben & Jerry’s sempre se destacou por sua missão de integrar valores sociais ao negócio. A empresa busca prosperidade ligada a esses valores, com um histórico de compromisso com o comércio justo e a criação de sabores com propostas ativistas. A marca já lançou sabores como “Save Our Swirled” durante as reuniões sobre o clima em Paris, “I Dough, I Dough” para celebrar a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos EUA, e “Home Sweet Honeycomb” em apoio ao reassentamento de refugiados na Europa.
No passado, a Ben & Jerry’s anunciou que não venderia mais seus sorvetes nos territórios ocupados por Israel, mantendo sua presença apenas em Israel. A marca justificou a decisão afirmando que a presença em uma “ocupação ilegal reconhecida internacionalmente” era inconsistente com seus valores de defesa dos direitos humanos e da justiça social. A empresa também rebateu acusações de antissemitismo, afirmando que “falar e agir de acordo com nossos valores não é anti-Israel nem antissemita”.
A história da Ben & Jerry’s começou há mais de 45 anos, quando Ben Cohen e Jerry Greenfield abriram sua primeira loja em um posto de gasolina reformado em Burlington, Vermont. Em 1986, inauguraram sua primeira fábrica em Waterbury, Vermont, e no final dos anos 1980 já possuíam mais de 80 lojas em 18 estados dos EUA. Em 1988, formalizaram seus valores com a criação da declaração de missão em três partes que a empresa segue até hoje.
A Ben & Jerry’s se expandiu globalmente na década seguinte, chegando ao Reino Unido em 1994 e à Irlanda em 2000, seguida por outros países da Europa, Austrália, Nova Zelândia e Ásia. A aquisição pela Unilever em 2000 permitiu que os sorvetes Ben & Jerry’s alcançassem 42 países. A disputa em curso entre os fundadores da Ben & Jerry’s e Unilever sobre valores sociais e liberdade de expressão continua a moldar a identidade da marca e seu posicionamento no mercado.
O caso envolvendo a Ben & Jerry’s e Unilever levanta questões sobre a autonomia de marcas com forte identidade social após serem adquiridas por grandes corporações. Resta saber como essa relação continuará a se desenvolver e qual será o impacto nas futuras iniciativas da Ben & Jerry’s em defesa de causas sociais.
Via InfoMoney
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