A Nippon Steel concluiu a venda de 21,71% das ações da Usiminas para a Ternium, marcando uma mudança importante na estrutura acionária da siderúrgica. Essa negociação reflete a decisão da Nippon Steel de focar seus investimentos em regiões consideradas prioritárias como Estados Unidos, Índia e Tailândia.
O grupo Ternium, que já exercia o controle da Usiminas, passa a deter quase 93% das ações vinculadas ao acordo de acionistas. Essa mudança simplifica a governança da empresa e pode acelerar a implementação de estratégias, segundo analistas.
Os especialistas avaliam que a venda pode otimizar a alocação de capital e integrar operações no Brasil e na América Latina. Entre os riscos, destaca-se a possibilidade de deslistagem e a diferença de preços entre ações ordinárias e preferenciais para acionistas minoritários.
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A venda de ações da Usiminas foi concretizada nesta quarta-feira (5) com a transferência da participação da Nippon Steel para a Ternium. A transação envolveu a negociação de 153,1 milhões de ações, representando 21,71% do capital total da Usiminas, ao preço de US$2,06 por ação. Essa mudança marca uma nova fase na estrutura acionária da siderúrgica mineira.
A Nippon Steel, que desempenhou um papel fundamental na fundação da Usiminas na década de 1950, comunicou que a decisão de vender suas ações está alinhada com a estratégia de concentrar seus investimentos internacionais em regiões consideradas prioritárias, como Estados Unidos, Índia e Tailândia.
Segundo Takahiro Mori, vice-presidente da Nippon Steel, a venda de ações da Usiminas visa mitigar riscos de perdas, considerando que não se projeta uma recuperação significativa do mercado brasileiro em curto prazo.
Com a conclusão da negociação, o controle da Usiminas passa a ser integralmente exercido pela Ternium, um grupo latino-americano com sede em Luxemburgo. A Ternium já possuía uma usina de aços planos no Rio de Janeiro, adquirida anteriormente do grupo alemão ThyssenKrupp. Além do Brasil, a Ternium possui operações na Argentina, Colômbia, México e Estados Unidos.
A Ternium, que faz parte do grupo europeu Techint, ingressou no capital da Usiminas em 2012, quando adquiriu as participações detidas pela Votorantim e pelo antigo grupo Camargo Corrêa. Ao longo dos anos, a Ternium e a Nippon Steel divergiram em relação à gestão da Usiminas, um conflito que foi resolvido em 2018 por meio de um acordo que estabeleceu um sistema de alternância na indicação da presidência-executiva da empresa.
Analistas do Citi consideram a saída da Nippon da Usiminas como um movimento “neutro para positivo”, argumentando que, embora a Ternium já exercesse o controle da companhia, a mudança simplifica a governança e pode permitir uma execução estratégica mais ágil sob um único acionista controlador. Essa venda de ações da Usiminas pode também otimizar a alocação de capital e promover uma maior integração operacional com a Ternium.
Os analistas do Citi alertam para o principal risco para os acionistas minoritários, que seria a possibilidade de uma potencial deslistagem sem direito a tag-along, além de um possível aumento da diferença de preços entre as ações ordinárias e preferenciais da Usiminas.
A Ternium divulgou um comunicado informando que o preço acordado com a Nippon Steel foi definido em um acordo de acionistas de julho de 2023 e que o valor total da compra das participações alcança aproximadamente US$ 315,2 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão).
Após a finalização da operação, o grupo Ternium/Techint deterá uma participação de aproximadamente 92,95% das ações vinculadas ao acordo de acionistas da Usiminas, enquanto a Previdência Usiminas manterá uma fatia de 7,05%.
Em relação ao total de ações ordinárias da Usiminas, o grupo Ternium/Techint passará a deter 71,02%. A compra das ações da Nippon foi financiada com recursos próprios do grupo.
No final de outubro, a Usiminas reportou um prejuízo de R$ 3,5 bilhões no terceiro trimestre, impactado por uma perda contábil de mais de R$ 2 bilhões relacionada ao valor de seus ativos.
Por volta das 16h10, as ações PNA da siderúrgica apresentavam uma elevação de 0,18%, cotadas a R$ 5,52, enquanto os papéis ON avançavam 4,04%, atingindo R$ 5,66.
Com a venda de ações da Usiminas, a Ternium consolida sua posição como controladora majoritária, o que poderá trazer mudanças significativas na gestão e nas estratégias da siderúrgica mineira. Os próximos passos da empresa e suas implicações para o mercado de aços planos no Brasil serão acompanhados de perto pelos investidores e analistas do setor.
Via InvestNews
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