Heineken inaugura fábrica de R$ 2,5 bilhões em Minas e comenta liderança no mercado premium

Heineken abre fábrica em Minas e contesta liderança da Ambev no segmento premium de cervejas.
06/11/2025 às 11:02 | Atualizado há 5 meses
               
Disputa entre Ambev e Heineken
Fábrica de Passos (MG) será uma das maiores, produzindo Heineken e Amstel. (Imagem/Reprodução: Investnews)

A Heineken inaugurou uma nova fábrica em Passos, MG, com investimento de R$ 2,5 bilhões para ampliar a produção de cervejas puro malte. A unidade tem capacidade inicial para 5 milhões de hectolitros e pode crescer conforme a demanda.

A empresa contesta a afirmação da Ambev sobre liderança no mercado premium, destacando que domina 60% das vendas de cervejas puro malte, segmento que inclui suas marcas Heineken, Eisenbahn e Amstel. A disputa entre as duas aumenta a competitividade no setor.

A fábrica em Minas foi a primeira construída do zero no país pela Heineken, com foco em Heineken e Amstel. O projeto inclui ações ambientais e turísticas, além de garantir maior disponibilidade de produtos no mercado para atender o crescimento do segmento premium.
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A Disputa entre Ambev e Heineken ganha um novo capítulo com a inauguração da fábrica da Heineken em Passos (MG). A nova unidade impulsiona a produção de cerveja puro malte no Brasil e acirra a competição com a Ambev, líder no mercado cervejeiro, que recentemente alcançou a liderança no segmento premium após uma década de domínio da Heineken.

Com capacidade inicial de 5 milhões de hectolitros anuais, a fábrica em Minas Gerais será dedicada à produção de Heineken e Amstel. A produção poderá ser expandida conforme a demanda. Segundo o CEO da Heineken Brasil, Maurício Giamerallo, a fábrica vem para solucionar a falta de produto, atendendo à crescente demanda pelos rótulos da marca.

O segmento premium tem apresentado crescimento em um mercado que está se estabilizando em 2025. Entre 2019 e o ano passado, os rótulos premium cresceram 10%, segundo a Euromonitor. A Nielsen aponta que o segmento premium, que representava 4% do consumo de cerveja em 2012, hoje corresponde a 24% do total.

Ao divulgar seus resultados do terceiro trimestre, a Ambev alegou ter assumido a liderança na categoria premium, impulsionada pelo aumento nas vendas de Original, Stella Artois, Spaten, Corona e Chopp Brahma. Este foi o 18º trimestre consecutivo de crescimento nas vendas desses rótulos.

A Heineken contesta a alegação da Ambev, argumentando que 60% do segmento premium é composto por cervejas puro malte, categoria dominada pelo grupo holandês. Giamerallo afirma que, de cada dez garrafas de puro malte vendidas no Brasil, 6,5 são da Heineken. O executivo questiona a inclusão de rótulos com arroz e milho na lista de cervejas premium da concorrente.

Entre os rótulos puro malte, a Heineken inclui a própria Heineken, a Eisenbahn e a Amstel, esta última não considerada premium. A definição de mercado, estabelecida pela Nielsen, define os rótulos premium como aqueles 30% mais caros que as marcas de maior volume, como Brahma, Skol, Itaipava e Amstel.

A Heineken argumenta que a Ambev está vendendo latas de Original de 269 ml abaixo do preço estabelecido pela Nielsen. A Ambev, por sua vez, afirma que vende a versão de 269 ml há pelo menos três anos e que todo seu portfólio premium está dentro da classificação de preço premium da Nielsen.

A Heineken questionou no Cade a prática de exclusividade da Ambev em bares e eventos, lembrando que o acordo com a autarquia limita esses contratos a 15% dos pontos de venda em determinadas áreas. Pesquisas encomendadas pela Heineken indicam que esse índice é muito maior em algumas regiões, como na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde a exclusividade da Ambev chegaria a 70% dos bares.

Nos supermercados, onde a Heineken destaca a “liberdade de escolha”, a marca afirma ter 48% de participação no segmento premium. Nos bares, com contratos de exclusividade, esse número cai para 20%. No total do mercado premium, a marca Heineken (excluindo Eisenbahn) representaria 43% do volume, segundo Giamerallo.

A Ambev declarou que está cumprindo integralmente os acordos celebrados com o Cade e que é auditada por uma empresa independente.

A fábrica em Passos, construída em dois anos e meio, é a primeira unidade construída do zero pelo grupo no país. Com capacidade inicial de 5 milhões de hectolitros, podendo dobrar em uma segunda fase, a fábrica focará na produção de Heineken e Amstel. Isso permitirá liberar espaço em outras cervejarias para rótulos como Eisenbahn.

A escolha da bacia do Rio Grande para captação de água foi acompanhada de um programa de pagamento por serviços ambientais em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA). A companhia também planeja explorar o potencial turístico da Serra da Canastra, com um centro de visitação “Heineken Inside Star” na cidade.

Após um ano difícil para o setor cervejeiro, a Heineken espera que 2026 seja um ano melhor, impulsionado por feriados, clima favorável e a Copa do Mundo. A nova fábrica em Passos garante que haverá cerveja suficiente para atender à demanda, especialmente a cerveja “do tipo certo” que justifica o preço para o consumidor.

Via InvestNews

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Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.