Mercado global do lítio enfrenta queda de 80% nos preços, mas mantém importância estratégica

Lítio tem forte queda nos preços, mas segue essencial para eletrificação e energia no Brasil e no mundo.
12/11/2025 às 06:41 | Atualizado há 5 meses
               
Vale do Lítio
Lítio em baixa, mas vital na transição para um futuro sustentável e energético. (Imagem/Reprodução: Investnews)

O mercado global do lítio passou por uma brusca queda de 80% nos preços desde 2022, afetando projetos e empresas no setor, principalmente no Vale do Lítio em Minas Gerais. Esse cenário é resultado da superprodução mundial, que gerou um excesso de oferta em 2024, impactando companhias como a Sigma Lithium.

Apesar das dificuldades, o lítio continua sendo fundamental para a fabricação de baterias e a eletrificação global, principalmente nos setores de celulares e carros elétricos. Empresas brasileiras, como a CBL, adotaram uma postura cautelosa para manter a estabilidade financeira diante da volatilidade do mercado.

A competição internacional no mercado do lítio é intensa, com China, Chile e Austrália liderando o refino e processamento. No Brasil, o setor enfrenta uma fase de ajustes e moderação nos investimentos, enquanto outros minerais estratégicos começam a ganhar mais atenção.
O lítio, antes visto como o “ouro branco” da economia eletrificada e principal componente da transição energética, experimentou uma reviravolta. O otimismo em torno do Vale do Lítio em Minas Gerais arrefeceu drasticamente, com uma queda de 86% nos preços desde 2022, resultando no congelamento de projetos e dificuldades para empresas do setor.

A superprodução de lítio é um fator chave nessa transformação. Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) mostram que a produção global superou o consumo em 2024, gerando um excesso de oferta. A Sigma Lithium, empresa que havia atraído o interesse de gigantes como BYD e Tesla, personifica essa mudança, enfrentando desafios para manter-se em um mercado em baixa.

Especialistas do setor já previam essa correção nos preços do lítio. A Companhia Brasileira de Lítio (CBL), por exemplo, adotou uma postura cautelosa, evitando expansões agressivas e focando na solidez financeira. Essa estratégia se mostra acertada diante do cenário atual.

O lítio é fundamental para a produção de baterias usadas em celulares e carros elétricos, impulsionando a eletrificação global. Ele se apresenta principalmente em duas formas: carbonato e hidróxido de lítio. O carbonato é mais comum e usado em baterias de veículos elétricos de entrada, enquanto o hidróxido é destinado a baterias de alto desempenho.

Embora o lítio não seja um mineral raro, sua produção está concentrada em poucos países. O Chile lidera as reservas mundiais, seguido por Austrália, Argentina e China. O Brasil figura entre os dez maiores produtores, com potencial para aumentar suas reservas.

O excesso de oferta global, impulsionado por novos projetos na América do Sul, África e China, contribuiu para a queda nos preços do lítio. Além do setor de energia, o lítio tem aplicações em cerâmicas, vidros, lubrificantes e medicamentos, mas esses nichos representam uma pequena parte da demanda global.

A Sigma Lithium, com operações no Vale do Lítio em Minas Gerais, exemplifica a euforia inicial e a subsequente mudança no mercado. A empresa atraiu investimentos e crédito público, mas enfrenta dificuldades para expandir sua planta industrial devido à queda nos preços do carbonato de lítio.

O mercado também demonstra preocupação com a liquidez da Sigma Lithium, especialmente após o encerramento de um contrato com um fornecedor. O Bank of America rebaixou a recomendação das ações da empresa, refletindo as incertezas em torno de seu futuro.

Enquanto isso, empresas como a CBL mantiveram a cautela, aproveitando o ciclo positivo para fortalecer seu caixa. A CBL planeja dobrar sua produção de concentrado de espodumênio, investindo em automação para otimizar suas operações no Vale do Lítio.

A AMG Brasil também adotou uma postura conservadora, consolidando contratos de longo prazo e expandindo sua unidade em Nazareno, Minas Gerais. Apesar do cenário desafiador, o lítio continua sendo um insumo estratégico, inserido no grupo de minerais críticos.

A disputa global pelo lítio envolve a extração, o processamento e o controle do mercado. Os Estados Unidos buscam reduzir a dependência externa e fortalecer sua indústria, oferecendo incentivos à cadeia de minerais críticos. A China, por sua vez, domina as etapas de refino e processamento, exercendo influência sobre os preços globais do metal.

A China, Chile e Austrália respondem pela maior parte do refino global de minerais para baterias. Essa integração vertical, desde a mineração até a fabricação de baterias, fortalece a posição da China como líder no mercado de lítio.

Na América do Sul, os países buscam aumentar a escala de produção, atrair investimentos e firmar contratos de longo prazo. O Brasil, após o entusiasmo inicial, enfrenta a realidade de um mercado em baixa, com investimentos mais lentos.

O Brasil enfrenta um momento de reavaliação no mercado de lítio. Enquanto os investimentos desaceleram, outros minerais, como as terras raras, ganham destaque.

Via InvestNews

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.