Meninas expõem rotina de casadas no TikTok com #casadaaos14; especialista alerta para romantização do casamento infantil

Meninas jovens compartilham no TikTok rotinas conjugais com #casadaaos14, como preparar marmitas e cuidados domésticos. Especialistas criticam romantização do casamento infantil, comum no Brasil apesar da proibição legal.
30/11/2025 às 10:06 | Atualizado há 2 horas
               
Casamento infantil no TikTok
Meninas casadas no TikTok: risco e ilegalidade do casamento infantil alertados por especialistas!. (Imagem/Reprodução: G1)

Meninas mostram no TikTok rotinas de vida casada, como preparar marmitas para maridos e limpezas domésticas. A hashtag #casadaaos14 soma milhões de visualizações, com perfis de 190 mil seguidores. Outras tags como #casadaaos15 e #casadaaos13 também viralizam.

No Brasil, IBGE registra 34 mil uniões de crianças de 10 a 14 anos. Lei proíbe casamentos antes dos 16. Especialistas alertam que vídeos reforçam estereótipos de gênero e minimizam violência, levando TikTok a remover conteúdos.

Meninas jovens compartilham no TikTok rotinas de vida conjugal, como preparar marmitas para o marido ou limpezas domésticas. Um vídeo de 2023, com mais de 2 milhões de visualizações, usa a hashtag #casadaaos14, que soma pelo menos 213 postagens. O perfil tem 190 mil seguidores e atualiza a tag com a idade.

Outros exemplos incluem #casadaaos15 com 582 vídeos e #casadaaos13 com 32. Elas mostram gravidez aos 14, cuidados com o lar e menções ao companheiro. O TikTok removeu conteúdos e perfis após contato do g1, por violar diretrizes comunitárias.

No Brasil, o Censo do IBGE de 2022 registrou 34 mil crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em união conjugal, 77% meninas. A lei proíbe casamento antes dos 16 anos, mesmo com consentimento parental. União estável com menores de 16 é nula pelo ECA.

Especialistas como Mariana Zan, do Instituto Alana, alertam que esses vídeos romantizam o casamento infantil no TikTok, reforçando estereótipos de gênero e minimizando violência. Raquel Saraiva, do IP.rec, vê apelo por viralização e validação, com jovens fugindo de casa ou buscando fama.

Em setembro, Lula sancionou o ECA Digital, exigindo proteção a menores em plataformas, como vincular contas a responsáveis. Ainda assim, Zan duvida se barra esses casos, por linha tênue na percepção social. TikTok destaca remoções proativas de 99,1% violações e restrições para 13-18 anos.

Organizações ligam uniões a pobreza, evasão escolar e gravidez precoce. Plataformas precisam moderar melhor conteúdos implícitos, como rotinas de “dona de casa”.

Esses posts geram engajamento alto, misturando reais experiências com buscas por likes, em meio a debates sobre proteção infantil online.

Via g1

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.