Quão monogâmicos são os humanos? Estudo compara com castores e suricatos

Pesquisa revela que humanos são monogâmicos em nível intermediário, entre castores e suricatos, com impactos na evolução social.
11/12/2025 às 08:25 | Atualizado há 4 meses
               
Pesquisador de Cambridge propõe nova classificação baseada em dados de 35 espécies. (Imagem/Reprodução: Redir)

Um estudo da Universidade de Cambridge analisou dados genéticos de 103 sociedades humanas e 34 espécies de mamíferos para avaliar níveis de monogamia. Os humanos ficaram em sétimo lugar, com cerca de 66% de irmãos bilaterais, entre castores-europeus e suricatos.

A pesquisa sugere que a monogamia social teve papel na evolução humana, especialmente na formação de sociedades cooperativas. O estudo destaca que os vínculos humanos são diferentes dos padrões tradicionais animais, com variações entre sociedades.

Especialistas apontam limitações nos dados e a necessidade de pesquisas genéticas mais avançadas. A análise amplia o debate sobre as relações humanas, trazendo uma visão quantitativa para um tema antigo.

A questão de quão monogâmicos somos em comparação com outras espécies foi tema de um estudo recente conduzido pelo professor Mark Dyble, da Universidade de Cambridge. A pesquisa analisou dados genéticos de 103 sociedades humanas e 34 espécies de mamíferos para identificar a proporção de irmãos bilaterais – irmãos que compartilham o mesmo pai e a mesma mãe – como critério para medir a monogamia.

Os resultados apontam que os humanos ocupam a sétima posição em um ranking de monogamia, com cerca de 66% de irmãos bilaterais. Isso nos coloca entre castores-europeus, que são mais monogâmicos, e suricatos, que apresentam menor índice. No topo da lista estão camundongos do tipo Peromyscus californicus, com 100%, seguidos por cães selvagens e ratos-toupeira, com taxas acima de 79%.

A análise sugere que a monogamia social — o estabelecimento de pares para cuidado reprodutivo — desempenhou papel importante na evolução humana, especialmente na formação de sociedades cooperativas. O estudo indica que a trajetória humana para a monogamia é diferente da observada em outras espécies, uma vez que humanos formam vínculos duradouros sem se enquadrar exatamente nos padrões animais tradicionais.

Especialistas também ressaltam a variação significativa entre as sociedades humanas e apontam que simplificações podem esconder nuances importantes. Ao mesmo tempo, o estudo reconhece limitações como o uso de dados autorrelatados e destaca a necessidade de mais pesquisas genéticas modernas para aprofundar o entendimento sobre a monogamia.

Essa investigação amplia a discussão sobre os aspectos evolutivos das relações humanas, oferecendo uma perspectiva quantitativa para uma questão que tem sido objeto de debates há muito tempo.

Via Folha de S.Paulo

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.