Pesquisadores analisaram crânios de jacarés e crocodilos atuais e de espécies extintas para entender a evolução da estrutura óssea. O estudo mostrou que o crânio achatado dos jacarés modernos oferece melhor mobilidade na água, mas é mais vulnerável a esforços mecânicos devido à menor resistência.
Jacarés atuais utilizam estratégias de ataque que compensam essa fragilidade, como o “giro da morte” na água, enquanto espécies antigas tinham crânios robustos e mordidas mais fortes. Essa adaptação foi crucial para a sobrevivência dos jacarés semiaquáticos após a extinção em massa.
A pesquisa destaca a troca evolutiva entre resistência e mobilidade, evidenciando como o ambiente aquático moldou a anatomia dos jacarés, favorecendo modelos que priorizam a facilidade de locomoção em detrimento da força da mordida.
Vida n’água fez crânio de jacaré evoluir para uma forma que aumenta sua vulnerabilidade a esforços, segundo estudo recente. Pesquisadores brasileiros e internacionais analisaram tomografias computadorizadas de crânios de crocodilos e jacarés modernos e de espécies extintas da Era dos Dinossauros. Essa comparação revelou que os crânios achatados atuais facilitam o deslocamento na água, mas causam perda na resistência a forças geradas durante a mordida.
O formato achatado do crânio, predominante nos animais semiaquáticos atuais, oferece menos resistência durante o nado, mas tem musculatura menos eficiente e é mais suscetível a fraturas por esforço. Já os crocodilos do período Cretáceo, que tinham crânios mais “clássicos”, possuíam maior capacidade para morder com força e suportar o impacto da tentativa de captura de presas, o que é indicado pelas marcas de inserção muscular nos ossos.
Entre os especímenes analisados, destacam-se espécies brasileiras do Cretáceo, como o Baurusuchus salgadoensis, um predador terrestre de até quatro metros, e outros menores com hábitos alimentares variados. Esses animais dependiam de técnicas de ataque diferentes, como morder e puxar. Em contraste, os jacarés e crocodilos atuais utilizam estratégias como o “giro da morte” dentro da água para subjugar presas, compensando as limitações mecânicas do crânio.
O estudo sugere que a adaptação ao meio aquático veio acompanhada de uma troca: melhor mobilidade e menor eficiência da mordida. Essa alteração pode ter contribuído para a sobrevivência das espécies semiaquáticas após a extinção em massa de 66 milhões de anos, enquanto os predadores terrestres com crânios robustos desapareceram.
Via Folha de S.Paulo