Neurocientista Suzana Herculano-Houzel relata experiência ao ir ao dentista após 10 anos

Neurocientista fala sobre o desconforto e estratégias para suportar a visita ao dentista após longos anos sem consulta.
19/12/2025 às 06:01 | Atualizado há 3 meses
               
A sensação de muitos estímulos ao mesmo tempo pode causar desconforto e confusão. (Imagem/Reprodução: Redir)

A neurocientista Suzana Herculano-Houzel compartilhou sua experiência ao visitar o dentista após mais de uma década. Ela destaca que poucas pessoas vão ao dentista por não sentirem problemas urgentes, além do desconforto natural do atendimento.

Suzana explica que a combinação de luz forte, sons, sabores e a posição desconfortável na cadeira aumentam o estresse sensorial durante o tratamento. A sensação de ansiedade e incômodo é comum devido ao contato constante com instrumentos e esforço muscular.

Ela recomenda técnicas baseadas em neurociência para controlar a tensão e a dor, como relaxamento muscular e controle da respiração. Além disso, ressalta a importância da anestesia para aliviar o desconforto e o papel do cérebro no equilíbrio entre evitar o sofrimento e cuidar da saúde bucal.

A neurocientista Suzana Herculano-Houzel compartilhou sua experiência ao visitar o dentista após mais de dez anos, destacando que visitas ao dentista são geralmente evitadas por falta de problemas urgentes e pela percepção negativa associada a esses atendimentos. A autora relata que, mesmo com avanços tecnológicos como a substituição do ferrinho manual pela broca de ultrassom, o sistema nervoso permanece sensível a estímulos durante o tratamento.

Ela comenta que o estimulo simultâneo de luz intensa, sons incômodos, sabores e a situação física desconfortável dentro da cadeira do dentista provocam um estresse sensorial considerável. Manter a boca aberta, lidar com o contato constante da água e instrumentos e o esforço muscular são fontes de desconforto persistente. Essa combinação amplifica a sensação de incômodo e ansiedade.

Para tolerar essas experiências, Suzana explica que práticas baseadas na neurociência ajudam no controle da tensão no corpo e na percepção da dor. Reconhecer e relaxar voluntariamente os músculos tensos e controlar a respiração são estratégias para reduzir o desconforto. Além disso, a autora menciona a possibilidade de dissociar a sensação dolorosa, tratando-a apenas como um estímulo observado, o que pode amenizar o impacto emocional do tratamento. Quando necessário, a anestesia é mencionada como recurso importante.

Esse relato ilustra como o cérebro negocia entre evitar experiências negativas e cuidar da saúde, destacando aspectos sensoriais e emocionais envolvidos nas idas ao dentista.

Via Folha de S.Paulo

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.