O DNA da baleia-jubarte apresenta sinais claros dos efeitos da caça predatória intensa durante o século 20. A espécie sofreu uma drástica redução populacional, chegando a apenas 2% do tamanho original no oceano Austral em 1930.
A pesquisa comparou genomes históricos e atuais, mostrando uma perda significativa da diversidade genética, crucial para a adaptação a novos desafios ambientais. Apesar da recuperação parcial, a população atual representa cerca de um terço dos números anteriores à caça.
O estudo também destaca que a recuperação total da diversidade genética exigirá muitas gerações, evidenciando as consequências duradouras da exploração humana sobre essa espécie marinha.
O DNA de baleia-jubarte revela sinais claros da caça predatória que quase levou a espécie à extinção no século 20. Um estudo publicado na revista Science Advances mostra que a diversidade genética dessas baleias foi drasticamente reduzida durante a exploração intensiva, com a população no oceano Austral chegando talvez a apenas 2% do tamanho original em 1930.
A pesquisa comparou o genoma completo de jubartes atuais com amostras históricas, apontando para uma queda significativa no número de indivíduos. Populações que chegavam a 70 mil no século 17 caíram a cerca de 1.400 em 1930 no oceano Austral, e no Atlântico Norte, de 25 mil para 2.500 entre 1600 e 1900.
Além da redução numérica, o estudo identificou uma homogenização do DNA das jubartes, com uma diminuição de 20% a 30% na heterozigosidade, indicador da variedade genética importante para a adaptação a novas doenças e mudanças ambientais. Embora tenham sido encontradas variantes genéticas com impactos moderados na função biológica, o risco imediato para a sobrevivência da espécie não é crítico.
O processo de caça industrial continuou mesmo após a proibição da Comissão Internacional da Baleia em 1963, com registros de caça ilegal soviética nas décadas seguintes. Pesquisadores utilizaram técnicas que analisam blocos de DNA para estimar variações populacionais e seus efeitos genéticos.
Apesar da recuperação parcial nas últimas décadas, a população atual ainda representa um terço dos números pré-caça. A perda de diversidade genética indica que a recuperação total levará muitas gerações.
Via Folha de S.Paulo