Pesquisadores da Nottingham Trent University analisaram cadernos de afinadores de órgãos de tubos em igrejas para identificar variações climáticas internas ao longo das décadas. Esses registros revelaram aumento significativo nas temperaturas internas, incluindo verões mais quentes e invernos menos rigorosos nas últimas décadas.
Os órgãos, feitos principalmente de madeira e metais, são sensíveis às mudanças ambientais. O aumento de temperatura e umidade provocou deformações na madeira e corrosão nos tubos, afetando a qualidade do som e a integridade dos instrumentos. Os dados evidenciam como o clima interno das igrejas mudou, influenciando a conservação desses patrimônios.
O estudo destaca o desafio de equilibrar o conforto dos visitantes com a preservação dos objetos históricos. A análise também abre caminho para novas formas de monitorar o clima interno em espaços históricos, utilizando registros não convencionais para captar mudanças que métodos tradicionais costumam ignorar.
Instrumentos musicais como o órgão de tubos, comum em igrejas, são sensíveis às mudanças ambientais. Pesquisadores da Nottingham Trent University analisaram cadernos usados pelos afinadores desses órgãos, que registram temperatura e umidade dentro das igrejas ao longo dos anos. Esses dados fornecem uma nova perspectiva sobre as variações climáticas em ambientes internos ao longo do tempo.
Os estudos mostram um aumento significativo nas temperaturas internas das igrejas. Durante os verões dos anos 1960, a média dentro das igrejas urbanas era de 17,2 °C. Já entre 2020 e 2024, esse valor subiu para 19,8 °C. No inverno, a temperatura média aumentou de 12,8 °C, em 1966, para 18,6 °C, em 2024. Essas mudanças influenciam diretamente a qualidade do som e a integridade dos órgãos.
Os instrumentos, cujos componentes são majoritariamente de madeira, sofrem deformações devido à variação de temperatura e umidade. Madeira pode rachar com o ressecamento, e a corrosão dos tubos causada por ácidos da madeira acelera em ambientes mais quentes. Registros dos cadernos de afinação frequentemente apontam falhas atribuídas às condições climáticas internas.
O estudo ressalta um conflito: para o conforto dos visitantes, a temperatura interna das igrejas segue faixas mais elevadas, próximas de 18 °C a 21 °C. Porém, para preservar objetos históricos e os instrumentos, o recomendado é manter entre 10 °C e 20 °C, com umidade abaixo de 65%.
Embora limitada pela pequena amostra e possível inconsistência dos registros, a análise abre caminho para usar dados alternativos na monitorização do clima e suas variações internas, frequentemente pouco registradas por métodos convencionais.
Via Super