A nova corrida espacial envolve uma disputa entre as grandes potências — Estados Unidos, China e Rússia — para dominar a exploração do espaço próximo à Terra, especialmente a Lua. A competição atual não busca apenas prestígio, mas o controle de recursos estratégicos e a definição de regras para futuras ocupações espaciais.
O cenário geopolítico mostra avanços rápidos do programa chinês, dificuldades americanas com mudanças políticas e a parceria entre Rússia e China em bases lunares. O tratado vigente é considerado insuficiente para as novas complexidades, enquanto acordos bilaterais aprofundam divisões. A escalada do armamentismo espacial e testes de armas antissatélites elevam o risco de conflitos fora da Terra.
A nova fase da corrida espacial está marcada por uma competição entre grandes potências —Estados Unidos, China e Rússia— pela dominação e exploração do espaço próximo à Terra, especialmente na Lua. Essa disputa não visa mais apenas prestígio, mas o controle dos recursos e a definição das regras para futuras ocupações espaciais.
O jornalista Tim Marshall, em seu livro “O Futuro da Geografia”, analisa essa dinâmica sob uma ótica geopolítica. Ele destaca que o programa espacial chinês tem avançado rapidamente, estabelecendo parcerias estratégicas, enquanto os Estados Unidos enfrentam dificuldades para manter um planejamento consistente diante das mudanças políticas internas. A Rússia, por sua vez, perdeu protagonismo e se aliou à China em projetos como a Estação Internacional de Pesquisa Lunar, que pretende criar uma base na Lua.
Marshall enfatiza que o atual marco legal, estabelecido pelo Tratado do Espaço de 1967, é insuficiente para lidar com as complexidades atuais, como mineração espacial e bases que podem ser efetivamente controladas por certas nações. Os Estados Unidos adotaram os Acordos Artemis, firmados bilateralmente com alguns países, mas sem a participação da China e da Rússia, aprofundando a divisão em blocos que lembra a Guerra Fria.
Essa rivalidade já alimenta a escalada do armamentismo espacial, com testes de armas antissatélites e tensões que podem gerar conflitos fora da Terra. Marshall alerta que, apesar do potencial para disputas, há também um campo aberto para novas descobertas, e destaca o papel da ficção científica em antecipar esses desafios espaciais.
Via Folha de S.Paulo