Mensagens pró-ação dos EUA na Venezuela viralizam em debates pelo WhatsApp no Brasil

Mensagens sobre operação dos EUA na Venezuela dominam debates no WhatsApp e influenciam discussões políticas no Brasil.
05/01/2026 às 06:43 | Atualizado há 1 semana
               
Narrativa pró-intervenção na Venezuela prevalece; debate crítico é mais intenso e orgânico. (Imagem/Reprodução: Redir)

A recente operação dos Estados Unidos na Venezuela gerou um intenso debate em grupos do WhatsApp no Brasil, alcançando mais de um milhão de pessoas. Mensagens com tom emocional a favor da intervenção viralizaram rapidamente, com formatos padronizados para compartilhamento.

Após a repercussão inicial, a discussão passou a relacionar a situação venezuelana à política brasileira. O presidente Nicolás Maduro foi comparado ao presidente Lula, com pedidos de impeachment e críticas ao Supremo Tribunal Federal.

Além disso, mensagens com críticas aos interesses americanos na Venezuela e teorias sobre zonas de influência globais surgiram. O fenômeno mostra como crises internacionais influenciam discursos políticos internos e podem intensificar polarizações.

A recente operação militar dos Estados Unidos na Venezuela rapidamente gerou um intenso debate no WhatsApp brasileiro, alcançando mais de um milhão de pessoas em milhares de grupos. Mensagens favoráveis à intervenção dominaram a circulação, apresentando um tom emocional e triunfalista, com formatos preparados para viralização, como textos padronizados e vídeos, com uma taxa de compartilhamento média de 120%.

Algumas horas após a repercussão inicial, o foco da discussão mudou, transformando a situação da Venezuela em um espelho da própria política brasileira. O presidente venezuelano Nicolás Maduro passou a ser associado ao presidente Lula, com mensagens que pedem impeachment, punições ao Supremo Tribunal Federal e até ruptura institucional. Assim, um conflito externo virou um instrumento para mobilização política interna.

Outro tipo de mensagem, menos compartilhada — com taxa de reenvio de 30% —, critica os interesses americanos no petróleo venezuelano e compara a operação a intervenções anteriores, como as do Iraque e da Líbia. Essas abordagens surgem mais em debates diretos nos grupos, agindo como contrapontos dentro das conversas.

Além disso, cresce discretamente a circulação de teorias que apresentam uma divisão global de zonas de influência entre as superpotências: Estados Unidos na Venezuela, Rússia na Ucrânia e China em Taiwan. Narrativas defendem também que o Brasil deveria desenvolver armamento nuclear para assegurar soberania, diante de um sistema internacional considerado em colapso.

Esse fenômeno mostra como crises internacionais são rapidamente apropriadas no contexto brasileiro, impulsionando discursos radicalizados e questionando limites institucionais e legais tradicionais.

Via Folha de S.Paulo

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